Por uma Frente de Esquerda Socialista, no Rio de Janeiro e no Brasil! Tese para o congresso estadual do PSOL-RJ 2017

Esta tese é um chamado à militância do PSOL, resultado de um esforço de coletivos militantes (LSR, NOS, Comunismo e Liberdade, Comuna e filiados independentes do PSOL), para a construção de uma alternativa programática em defesa do socialismo, da independência de classes e de todas as lutas coletivas libertárias.

Conjuntura Nacional

O Brasil passa por uma profunda crise social e econômica que acentua os limites históricos do capitalismo e torna insustentável as taxas de crescimento do período dirigido pelo PT, lançando o país na recessão e milhões de trabalhadores no desemprego. Esta crise precipita o fim do ciclo de hegemonia lulista e de sua estratégia de conciliação de classes além de subordinar a concessão de melhorias materiais para as trabalhadoras/es à expansão dos negócios e lucros do empresariado, desarticulando a organização e luta autônomas da classe.

O fracasso da estratégia petista, teve como consequência a jornada de lutas que se intensificaram em junho de 2013. Engatilhados pelo MPL, milhares de pessoas, em sua maioria jovens, de diversas camadas sociais e diferentes orientações políticas, saíram às ruas reivindicando pautas diversas, como melhoria dos serviços públicos e expansão dos direitos, se chocando com os limites da política neoliberal preservados pela administração petista. Junho marcou assim, o limite da capacidade dos aparatos políticos e sindicais do PT em incorporar e conter demandas populares mantendo sua subordinação aos interesses do empresariado.

A perda de credibilidade do PT como mediador de conflitos, intensificou-se com o agravamento da crise política e econômica, resultando no afastamento do empresariado do governo Dilma, que, por sua vez, unificou-se em torno de um programa extremamente agressivo de contrarreformas, visando recuperar a lucratividade dos negócios através da retirada de direitos e desmonte de serviços públicos essenciais. É em torno deste programa que se articula a opção pelo golpe, de maneira a promover as condições políticas para a sua plena aplicação, até então travadas.

A aposta do empresariado em um governo sem apoio popular, aliado aos setores mais corruptos e fisiológicos do congresso nacional, se mostra, até agora, politicamente frágil, mas capaz de impor derrotas significativas aos trabalhadores. A aprovação de ataques como a EC 95 e a ReformaTrabalhista dá sobrevida ao governo ilegítimo de Temer, embora não afaste as fragilidades que põem em risco a sua continuidade.

A esquerda e os movimentos sociais trazem ainda as marcas do período de apassivamento e perda de autonomia ao longo dos 13 anos de hegemonia petista, estando ainda incapaz de apresentar uma resistência convicta aos ataques de Temer e de governos estaduais e municipais. Apesar da abertura de um ciclo de lutas que tiveram início em março de 2017, culminando na greve geral em 28 de abril, sindicatos e movimentos populares, ligados ao campo lulista e à direita tradicional, efetuaram um desmonte da greve de 30 de junho, fragilizando a resistência às contrarreformas. Somente a luta unificada dos trabalhadores numa nova grande greve geral nacional como a de Abril poderá barrar os ataques destes governos.

Queremos e podemos derrubar Temer, o presidente mais impopular da Nova República. Defendemos eleições gerais e diretas já para que o povo decida os rumos do país e as contrarreformas sejam bloqueadas. É preciso que permaneçamos mobilizados. É preciso organizar o movimento pela base e pressionar as direções sindicais para continuar a luta.

Além disso, é preciso oferecer para o conjunto dos explorados e oprimidos do Brasil uma perspectiva de futuro, uma alternativa global à crise do sistema econômico e político. Os governos do PT deixaram claro que sua política de conciliação de classes, pactos com a burguesia e a direita, adaptação ao sistema político e econômico, não representam alternativa.

Precisamos construir junto com os trabalhadores uma alternativa política e programática que seja classista, anticapitalista e socialista. Isso passa pela unidade da esquerda socialista organizada no PSOL, PCB e PSTU e outras forças socialistas com os movimentos sociais mais combativos, como o MTST, CSP-Conlutas, Intersindical, etc. Uma frente social e política para ir muito além das eleições de 2018, de todos esses setores, uma Frente de Esquerda e Socialista que levante um programa que atenda às reivindicações básicas dos trabalhadores por emprego, salário, moradia, educação e saúde e ao mesmo tempo ligar essas demandas a medidas de ruptura com o sistema econômico e político capitalista. Precisamos de um programa de transição anticapitalista e socialista como saída para a crise do ponto de vista dos trabalhadores e do povo.

Conjuntura Estadual

Desde o final de 2015, veio à tona a falência econômica do Estado do Rio de Janeiro. O estopim da crise foi a queda dos recursos dos royalties, provocada pela drástica queda do preço internacional do petróleo. Esse caos na administração pública é fruto da lógica do PMDB de governar privilegiando os empreiteiros e as grandes empresas a partir das isenções fiscais e da prática nefasta de troca de favores. Não tardaram a “pipocar” denúncias de corrupção, algumas delas levaram à prisão do ex-governador Sérgio Cabral e à cassação da chapa do Pezão/Dornelles pelo TRE-RJ em primeira instância no início de 2017.

O governador Luiz Fernando Pezão tentou passar a conta para os servidores públicos estaduais. No final de 2015, realizou o parcelamento dos salários (o que voltou a ocorrer no final de 2016), assim como atrasos constantes dos pagamentos destes trabalhadores ao longo de 2017, junto com fechamento de emergências hospitalares, demissões em massa de terceirizados e outros inúmeros casos que refletem o sucateamento da máquina pública do Estado. Por isso, o Estado do Rio de Janeiro vem sendo o centro das lutas no Brasil. O Pacote do Pezão, se tornou a ponta de lança das medidas de austeridade do governo Temer, transformando o Rio no laboratório destas medidas.

Sendo assim, a conjuntura estadual foi marcada por diversas lutas, com destaque para a greve da rede estadual dos profissionais da educação em 2016, as greves de professores, técnicos e estudantes das universidades públicas estaduais, a luta contra a privatização da CEDAE e a mobilização dos servidores estaduais organizados no MUSPE.

Na educação básica se deu a maior greve já construída pelo SEPE, com a adesão de 70% da categoria e 120 dias de greve. “A nossa luta Unificou, é estudante, funcionário e professor” e “#OcupaTudo” foram as principais consignas desta greve. Foram mais de 80 escolas ocupadas, além da própria Secretaria de Educação que foi ocupada pelo movimento estudantil secundarista. Tais ocupações se somaram à luta dos trabalhadores da educação em defesa da educação pública, laica e gratuita, realizando uma verdadeira primavera dos estudantes no Rio.

A escola ocupada significa um espaço físico acolhedor e cheio de companheirismo entre os alunos. Lá eles aprendem a lidar com os conflitos e contradições. Há aulas com temas escolhidos por eles, oficinas de instrumentos musicais, competição de jogos eletrônicos, esportivos e de tabuleiros, batalha de rap, roda de samba e debates sobre a importância do movimento estudantil no Brasil. Ou seja, nestes espaços de ocupação está se construindo uma nova sociabilidade humana de respeito e cooperação, onde os alunos praticam a democracia direta através das assembleias diárias, onde sua voz é respeitada, constroem coletivamente as próprias regras de convivência, a partir das necessidades que percebem, e por isso as comissões de segurança, limpeza e alimentos precisam funcionar para manutenção da ocupação. A eleição direta para direções da escola aprovada pelo governo, foram as principais vitórias da greve de 2016.

Na Baixada Fluminense, tal qual demais espaços periféricos, não há oferta de emprego, educação e saúde de qualidade, tampouco cultura e lazer para seus moradores. Estar tão perto do Rio nos leva a adotar uma lógica pendular, de ir e voltar todos os dias, fazendo com que reclamemos apenas do transporte público e da mobilidade urbana. Assim, naturalizamos esta dependência e os gestores municipais se mantêm na zona de conforto. Nos vemos obrigados a nos submeter ao terror diário nos trens e nos ônibus urbanos, que corroem nossa saúde e nos toma boa parte da nossa renda mensal.

As políticas da capital estadual impõem impacto a todo o estado, principalmente à região metropolitana que a circunda, a periferia. No caso fluminense, os megaeventos, as UPPs e as remoções, realizadas com o apoio ou a leniência de Jandira e de Molon, também trouxeram duras consequências para a Baixada e para o interior. Os BRTs e a crítica ao transporte público com foco estrito em seus modais mascaram o projeto de manutenção das cidades dormitórios, de subjugo diário do trabalhador periférico e de dependência das regiões mais distantes perante a capital.

Os servidores, em contrapartida aos ataques do governo, também organizam sua resistência, em especial através do Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais. O MUSPE tomou a frente da mobilização e da unificação dos servidores estaduais, contando, inclusive, com a participação dos servidores da segurança pública, que inicialmente optaram por realizar movimentos à parte do MUSPE e depois se integraram ao movimento unificado, apesar de algumas ressalvas e conflitos com partidos e o SEPE. A ocupação da ALERJ por algumas horas, realizada por eles, foi um catalizador e acirrou a luta no Estado, bem como a greve “branca” dos policiais militares. Mesmo este movimento não tendo em si reivindicações progressistas, as tensões e mobilizações deste setor contribuíram também para tornar ainda mais instável o governo Pezão, que teve, inclusive, que pedir o auxílio das forças armadas.

Apesar de toda esta luta dos servidores desde 2015, o grande acordo entre o imoral e ilegítimo presidente Temer e o governador Pezão, com ampla maioria na ALERJ, aprovou a lei autorizativa da alienação de 100% das ações da CEDAE, última empresa estatal que hoje tem a perspectiva de lucratividade anual na ordem de R$ 1 bilhão ao ano, tornando-a a maior empresa pública de saneamento do país, capaz de universalizar o saneamento no estado, levando água e tratamento de esgotos a todo povo, serviços essenciais para redução das desigualdades sociais e saúde da população, principalmente as mais pobres e periféricas.

Em seguida o aumento previdenciário dos servidores de 11% para 14%, também foi aprovado, com a mesma desculpa para aprovação da lei de privatização da CEDAE, de que os salários e pensões dos servidores seriam colocados em dia. Em troca, o governo de Michel Temer concederia R$ 3,5 bilhões em empréstimos para regularizar os pagamentos em atraso e o 13º de 2016. O valor é irrisório frente a folha de pagamento do estado, que passa dos R$ 60 bilhões, ou da sua gigantesca dívida pública.

Esta troca nada justa traduz na verdade que há outras intenções dos dois governos do PMDB. O que está em jogo é muito mais que a “saúde” financeira do Estado do Rio: é, na verdade, a implementação das medidas de austeridade propostas pelo Temer, iniciadas com a aprovação da Reforma Trabalhista e a aprovação do PLC 159/2017 de Socorro fiscal aos Estados, que na verdade representa uma intervenção na administração local com vistas a impor medidas de austeridade aos governos que assinarem o convênio estelionatário. Agora segue avançando com a Reforma da Previdência encarnada no aumento da contribuição previdenciária. A CEDAE então se tornou um verdadeiro “boi de piranha”: sua possível venda por um valor bem abaixo do avaliado em nada mudará a situação do Estado.

Muitos servidores estão sem salário há mais de 3 meses, além de ainda estarem sem o pagamento do 13º salário referente ao ano de 2016. Muitos estão passando por sérias necessidades, até para comprar comida. Os aposentados estão sem receberem e não podem comprar seus medicamentos. A situação é calamitosa e por isso os sindicatos estão fazendo uma campanha de doação de alimentos, para os servidores não passarem fome. Há relato de servidores morando nas ruas, em abrigos e há casos extremados inclusive de suicídio.

Os ataques não param por parte deste governo. O secretário de Educação Wagner Victer publicou as resoluções nº 5531 (publicada no Diário Oficial de 21/07) e a nº 5532 (publicada, também no diário oficial no dia 31/07), cujos conteúdos representam um grave e direto ataque aos direitos dos servidores públicos, aos alunos e às escolas. O objetivo da SEEDUC é fechar escolas no entorno de 3 km (realidade de muitas escolas que serão fechadas, caso os servidores não resistam a estes ataques) atingindo o direito de origem (lotação) dos servidores; fechando turmas e turnos e, desse modo, obrigando os educadores a darem aulas em várias cidades diferentes.

A intensidade dos ataques de Pezão, Dornelles, Picciani e Temer impõe ao movimento a necessidade de contrapor uma resistência coesa de todos os servidores e da população fluminense. Apesar da extrema repressão policial, a luta unificada contra os ataques de Pezão aos direitos dos servidores conseguiu sustentar por mais de um ano diversos adiamentos das votações do pacote do Pezão na ALERJ. Isto mostra que, mesmo difícil,é fundamental a unidade de ação da classe trabalhadora contra os ataques neoliberais em uma frente única, que se faz necessária no momento atual de profundos ataques aos direitos dos trabalhadores.

Um PSOL, democrático, estruturado e combativo no cotidiano e nas eleições

O PSOL do Rio de Janeiro, frente à piora acentuada das condições de vida da classe trabalhadora no estado, tem nesta conjuntura um importante papel a cumprir, nas ruas e nos processos eleitorais. Entretanto, o partido, embora contando com muitos militantes dedicados, ainda não está fundamentado em forte enraizamento social, mas sim na sua base parlamentar. Para que possa ser um instrumento do fortalecimento das lutas coletivas, o partido precisa reforçar o seu caráter militante, sua democracia interna, seus espaços de debate interno e de intervenção exterior.

Porém, o PSOL ainda aparece nestas lutas principalmente através de nossos parlamentares, e não por uma atuação organizada da direção ou da base partidária. Desse modo, embora desempenhe um papel político importante como defensor de pautas progressistas, o PSOL não é ainda um instrumento de luta prática cotidiana.

Isto se deve parcialmente pelo modo como o partido se organiza atualmente. Não ocorreram neste período fundamental plenárias estaduais para que a base discutisse e deliberasse a estratégia política do PSOL. Temos que construir plenárias municipais e regionais para a construção de uma política de municipalização e nucleação do partido, assim como de filiação e formação política. A Direção Estadual deve garantir uma gestão horizontalizada e transparente, com prestação de contas mensais e plenárias regulares com a participação obrigatória dos parlamentares estaduais. O investimento em comunicação é fundamental para a socialização das deliberações partidárias para dentro e para fora do partido.

Para tanto, é fundamental fortalecer o papel dos núcleos. Os Núcleos são um espaço em que militantes e apoiadores do PSOL se encontram para debater democraticamente as questões organizativas e construir discussões voltadas para o crescimento da formação política dos militantes. Conectam, portanto, o partido à vida pulsante das lutas políticas do cotidiano, atuando ao lado dos movimentos sociais com a intenção de somar forças, organizar e atuar em diversas frentes que têm potencial para intervir contra os interesses capitalistas de exploração, segregação e opressão. São também importantes modos de inserção e enraizamento do partido nos espaços urbanos e lutas locais, ajudando a romper limites.

Entendemos que os diretórios municipais e estadual devem se relacionar de forma privilegiada com os núcleos e setoriais do partido e promover a democratização do debate interno. Temas como tática eleitoral, atuação nos movimentos de bairro, movimentos sociais, formação política e as questões internas do partido não devem ficar restritos aos espaços de direção, mas serem amplamente debatidos pelo conjunto dos/as militantes, fazendo com que os núcleos sejam instâncias vivas do PSOL. Uma importante experiência neste sentido é, no Rio de Janeiro, a Internúcleos. Essa é uma experiência que deve ser fortalecida e refletida para outros municípios.

A estadualização de experiências como o Se a Cidade Fosse Nossa é interessante para o partido estabelecer pontes com várias comunidades e movimentos, entretanto uma medida desta deve ser bem discutida e acompanhada pela base do partido. O PSOL deve capitanear um movimento que construa uma alternativa de esquerda e socialista que aponte saídas para a crise de Estado, unificando as lutas dos Trabalhadores/as CLstistas, Desempregados/as, Servidores/as Públicos, dos trabalhadores/as e estudantes da UERJ, demais Universidades Estaduais e Funcionários/as da Cedae.

Outro espaço fundamental é o dos setoriais, para elaboração de políticas e organização da militância nos movimentos específicos. Construir e fortalecer setoriais tem que ser uma tarefa da direção, mas principalmente uma tarefa dos filiados. Constituir um espaço de experiências e trocas entre os setoriais fortalecerá nosso partido.

É importante avançarmos no debate acerca de um partido independente, financiado pela sua militância, sem depender de empresas ou aparatos institucionais, ou seja, os filiados devem contribuir financeiramente para o partido de acordo com suas possibilidades. Parte dessa arrecadação poderia ser direcionada para os núcleos se estruturarem, além de produzirem materiais que fortaleçam as lutas e que geram maior engajamento para a ocupação nas ruas com panfletagens para o trabalho de base tradicional da militância do Psol.

No plano eleitoral, o PSOL do Rio de Janeiro terá nas eleições de 2018 condições de reeditar a importante atuação que teve nas eleições de 2014. Naquele momento, tivemos a lucidez e coragem de denunciar de forma aberta a situação econômica e social calamitosa do estado, com o grau de corrupção institucional e promoção de interesses privados às custas dos direitos coletivos que marcaram os governos pmdbistas, e também a prática política de seus aliados e adversários do mesmo quilate.

A diferenciação que a candidatura do PSOL estabeleceu com as outras candidaturas, inclusive a de Lindbergh Farias, destacou o partido da vala comum em que se encontravam “os Cabrais”, o que o credenciou como alternativa. Tarcísio não teve medo de ser radical e, assim, conseguiu dialogar com as preocupações e anseios de trabalhadores e setores populares, muitos dos quais em luta desde o início desta década. Nossa campanha no Rio teve como marca e diferencial a presença significativa de comitês eleitorais formados a partir dos núcleos do PSOL, o que ajudou a dar organicidade e enraizamento à nossa prática e coerência ao nosso discurso.

É fundamental que superemos limites e façamos dos acertos de 2014 uma base para avançarmos rumo ao partido que queremos, capaz de assumir um papel protagonista nas lutas coletivas do Brasil e do Rio de Janeiro. Um dos principais limites em 2014foi não termos conseguido apresentar para a população uma frente de esquerda que coligasse o PSOL com os partidos da esquerda independente como o PCB e o PSTU. No nosso entender, esta é uma necessidade urgente em todo o país, para atrelar a atuação do nosso partido às lutas sociais concretas, superar a fragmentação das forças combativas e constituir um polo alternativo de resistência. Uma frente de esquerda com o dever de impulsionar o diálogo com os amplos setores de trabalhadores e da juventude que têm construído lutas, greves e mobilizações fundamentais no Rio de Janeiro, de modo a unificar as vozes das ruas contra a caótica situação vivida no estado, onde desigualdade e violência são intensificadas por gestões privatistas como a de Crivella, que privatizam e segregam o espaço urbano, sempre em nome dos interesses do Capital.

O sucesso do PSOL no Rio de Janeiro aumenta sua responsabilidade na definição do papel que o partido pode cumprir, pois tem repercussão nacional. Em todos os estados do país se fala em Chico Alencar, Jean Willys, Marcelo Freixo. As eleições de 2012, 2014 e 2016 trouxeram grandes expectativas. Mas essas expectativas vêm acompanhadas de muitas armadilhas. Muitos oportunistas já procuram o partido como porto seguro para proteger suas carreiras políticas. As tentações para ampliar a base eleitoral do partido pressionam para que aceitemos personagens cujo perfil não se encaixa em nossa história e aspirações, enquanto alternativa real para a classe trabalhadora brasileira e fluminense. Desse modo, figuras políticas de trajetória duvidosa serão apresentadas como sendo progressistas, cujos eleitorados podem fortalecer a legenda, num cálculo meramente eleitoral.

Não podemos apresentar para o eleitorado que passa a ter o PSOL como referência política candidaturas que não expressam o seu perfil independente e combativo. As recentes experiências com Daciolo e Dr. Julianeli devem servir de exemplo dos riscos que corremos e do que não queremos para o partido. Para resistirmos a pressões eleitoreiras, precisamos ter um critério mais rígido no que diz respeito à filiação de figuras públicas e personagens que tem trajetórias questionadas por amplos setores da esquerda. Também devemos debater que tratamento interno ao partido devemos dar a figuras já filiadas, como Paulo Ramos, cuja visão política se confronta diretamente com a atuação partidária nos movimentos sociais.

A luta pela melhor definição e demarcação do perfil partidário também passa pela sua diferenciação frente ao lulismo, num momento em que a ofensiva contrarreformista da direita tradicional tende a nublar o papel apassivador que o PT e seus aliados desempenharam ao longo de mais de uma década como gestores dos interesses capitalistas no país. Setores do lulismo tentarão se aproximar do PSOL para que este abrigue e apresente uma versão repaginada do seu projeto conciliatório, e estes setores terão, internamente, alguns defensores. Será o PSOL capaz de resistir às tentações de abarcar grupos com alguma expressão eleitoral, mas que não representam uma ruptura real com o projeto lulista? Qual será o marco programático de sua política de alianças? Entendemos que é fundamental para o futuro do partido que novas filiações e a definição da tática eleitoral se dê a partir de um balanço crítico da experiência dos governos petistas e do seu papel na constituição do momento atual. Propomos que desde já fique explícito que o PSOL não buscará apoio de figuras políticas e públicas do PT e dos partidos do campo do lulismo, e nem, tampouco, de setores ligados organicamente à direita tradicional, como tivemos nas eleições municipais da capital. Tais definições, por sua vez, não podem se dar a partir de acordos burocráticos de grupos e direções, mas devem ser feitas com base na ampla discussão com o conjunto da militância do partido, em instâncias em que a base tenha voz real.

Um PSOL comprometido com o combate às opressões:

A luta pelo socialismo é necessariamente uma luta libertária, contra todas as formas de opressão, pois não há capitalismo sem opressão: sem racismo, machismo ou lgbtfobia. O capital se utiliza da situação de maior fragilidade dxs oprimidxs para aumentar sua exploração. Estes setores são os mais precarizados e explorados no mundo do trabalho e, na situação de barbárie imposta à classe trabalhadora, são os que têm seus direitos mais negados e sofrem mais ataques. Se é verdade que não é possível acabar com as opressões dentro do capitalismo, fazendo-se necessário aliar profundamente essas lutas, com uma perspectiva classista, à luta geral da classe trabalhadora, é um erro grave pensar que o combate às opressões é secundário ou adiável. Pelo contrário, a exploração dá sustentação e acentua as opressões, tornando ainda mais urgente o seu combate.

Já no interior do partido, apesar do teor competente e enriquecedor de tantas pessoas valorosas, a hegemonia de figuras públicas brancas, masculinas, acadêmicas e de regiões enobrecidas simbolizam bem a dificuldade do PSOL em usar a prática como critério da verdade. Precisamos urgentemente romper com os vícios e privilégios das diversas estruturas opressoras presentes em nossa sociedade também internamente.

Essa articulação tem sido demonstrada na prática pela luta dos movimentos de mulheres. A classe trabalhadora feminina possui um papel estratégico para a revolução e tem desempenhado no Brasil e no mundo papel de vanguarda. As mobilizações dos movimentos de mulheres desde 2015 no Brasil levaram milhares às ruas combinando a luta contra a cultura do estupro, pelo direito ao aborto, pelo direito de ir e vir sem assédio e violência com a defesa de direitos sociais universais. O PSOL deve ser um espaço de acúmulo, elaboração, proposição e atuação feministas, lutando para aumentar e assegurar a participação militante de suas filiadas em todas as instâncias internas e ser um ponto de apoio para estas lutas.

A luta dos/as negros/as deve ser parte da luta fundamental contra o capitalismo e contra a violência estatal. Precisamos enfrentar o mito da democracia racial para combater todas as formas de segregação econômica, social e cultural. Lutar pelo fim do racismo é também lutar contra a opressão policial que, sob o pretexto da guerra às drogas, opera de fato o aspecto mais brutal da dominação de classes no país, aterrorizando, vitimando e encarcerando em massa a juventude negra e periférica. Também é fundamental que o partido se engaje na luta pelo direito à terra e moradia de sem-tetos, sem-terra, quilombolas, indígenas e populações tradicionais.

Ao mesmo tempo, diante do avanço das pautas conservadoras e da intolerância, a perspectiva libertária, defensora da diversidade e das formas não-normativas de amar/ser/expressar, assume maior centralidade. É necessário estar presente nas lutas e organizações LGBTs, lutar pelo reconhecimento de direitos humanos e civis fundamentais que ainda são negados pelo Estado Brasileiro a indivíduos de qualquer gênero ou orientação afetiva.

Para combater as formas de violência, segregação, sujeição e opressão de todxs é fundamental que o PSOL valorize e busque integrar os setoriais como instâncias de auto-organização do partido, e busque nacionalizar os setoriais.

Se nossos sonhos são distantes utopias na imatura democracia brasileira, temos o dever de concretizá-las ao menos em nossas ferramentas de transformação. Democratizar os espaços de poder e abrir mão dos próprios privilégios também são atos revolucionários e necessários rumo ao socialismo e a liberdade que almejamos. A coerência e a empatia devem ser nossos diferenciais mais caros.

Ainda há tempo, mas é preciso diferenciar nossa paciência da suposta condescendência que tanto esperam de nós. Assim como não permitiremos que minimizem nossas dores, também não nos calaremos diante do aparelhamento das nossas lutas. Ontem, ainda hoje e, ao que tudo indica, amanhã também, é nós por nós. Pra dormir, só com um olho aberto e o outro acordado.

Assinam esta tese:

  • Agnaldo Fernandes Rio de Janeiro
  • Albertina de Souza Guimarães Rio de Janeiro
  • Alan George Arvizian dos Reis Queimados
  • Alessandra Bruno Rio de Janeiro
  • Alexandre Barbosa (Xandão) Rio de Janeiro
  • Alice Coutinho Rio de Janeiro
  • Alice Fernandes de Araujo Volta Redonda
  • Alice Gonçalves Alves Volta Redonda
  • Aline Caldeira Lopes Rio de Janeiro
  • Alvaro Abreu Nova Iguaçu
  • Amanda Rodrigues Rio de Janeiro
  • Ana Beatriz Pinheiro e Silva Rio de Janeiro
  • Ana Chagas Campos dos Goytacazes
  • Ana Eliza Chaves Rio de Janeiro
  • Ana Isabel de Azevedo Spinola Dias Rio das Ostras
  • Ananda da Silveira Viana Volta Redonda
  • Andre de Oliveira Miguel Rio das Ostras
  • André Luiz Villares Monteiro Nova Iguaçu
  • Andressa Eulália Viana Cardoso Niterói
  • Angela Bicalho Rio de Janeiro
  • Angélica Silvério Custódido Volta Redonda
  • Anísio de Souza Borba Rio de Janeiro
  • Arnaldo Ramos Rio de Janeiro
  • Antonio Enagio São Gonçalo
  • Ary Gabriel Girota de Souza Rio de Janeiro
  • Augusto Pirollo Nilópolis
  • Bárbara Lisboa Rio de Janeiro
  • Barbara Nascimento Rio de Janeiro
  • Bernardo Calmon Salgado Rio das Ostras
  • Bianca Resende da Silva Rio de Janeiro
  • Braz Aparecida de Araujo Volta Redonda
  • Breno Nascimento Niterói
  • Brunna Uchoa Mourão Rio de Janeiro
  • Bruno Almeida Gambé Rio de Janeiro
  • Caio Amorim Rio de Janeiro
  • Carmen Castro Rio de Janeiro
  • Carolina de Sousa Rocha Rio de Janeiro
  • Cintia Cavalcanti Rodrigues Rio de Janeiro
  • Clarissa Menezes Rio de Janeiro
  • Cláudia Abreu de Carvalho Nova Iguaçu
  • Claudia Mitie Rio de Janeiro
  • Cláudio Corrêa Rio de Janeiro
  • Clóvis André Damasceno Rio de Janeiro
  • Cristialy Pitzer Da Costa Rio das Ostras
  • Cristina Brito Santana Rio de Janeiro
  • Dan Gabriel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro Rio de Janeiro
  • Daniel Aquino Lucas Martins Rio das Ostras
  • Daniel Bernardes de Araujo Volta Redonda
  • Daniel Domingues Monteiro Rio de Janeiro
  • Daniel Ferrari Rio de Janeiro
  • Daniela Abreu Rio de Janeiro
  • Daniela Peti Rio de Janeiro
  • Danilo Furtado Rio de Janeiro
  • David Salvador Casimiro de Abreu
  • Dejair Dias de Souza Rio de Janeiro
  • Demian Melo Rio de Janeiro
  • Deyverson dos Reis Souza Barbosa Niterói
  • Diogo Luiz da Silva Ribeiro Itaboraí
  • Diogo Nascimento Rio de Janeiro
  • Douglas Azevedo Niterói
  • Eduardo Andrade Rio de Janeiro
  • Eduardo Gama Mendes de Moraes Rio de Janeiro
  • Elaine Pelaez Rio de Janeiro RJ
  • Elias Alves Volta Redonda
  • Elza Carvalho Rio de Janeiro
  • Érica Cristina Almeida Alves Rio de Janeiro
  • Fabiana Baraldo Gomes Antunes Rio de Janeiro
  • Fabricio Rodrigues Caseiro Rio de Janeiro
  • Felipe Barros Rio das Ostras
  • Felipe Demier Rio de Janeiro
  • Felipe Mesquita Niterói
  • Fenando Tinoco Rio de Janeiro
  • Fernando José Junior Rio de Janeiro
  • Fernando Teixeira Rio de Janeiro
  • Filipe Volz+A28 Rio de Janeiro
  • Flanciellem Siqueira da Silva Volta Redonda
  • Flavia Siqueira Lemos Leandro Volta Redonda
  • Flávio Miranda Rio de Janeiro
  • Francisco Javier Muller Niterói
  • Gabriel Arbex Rio de Janeiro
  • Gabriel Fhelipe Dos Santos Rio das Ostras
  • Gil Lannes Rio de Janeiro
  • Gisele Amanita Rio de Janeiro
  • Glauco Oliveira Rio de Janeiro
  • Gleissiton Gualberto Niterói
  • Grasielle Freitas Niterói
  • Guilherme Abelha Rio de Janeiro
  • Guilherme Braga de Oliveira Alves Rio de Janeiro
  • Gustavo Gomes Rio de Janeiro
  • Hafid Omar Abdel Melek de Carvalho Volta Redonda
  • Hariel Meirelles Ribeiro Rio das Ostras
  • Helaine Alves Rio de Janeiro
  • Helaine Cristine Santos Rio de Janeiro
  • Helio Lopes Junior Nova Iguaçu
  • HermanePegoraroSchunaid Nilópolis
  • Hermes Ferreira da Silva Queimados
  • Isabela Leoni Rio de Janeiro
  • Isabella Mendes Rio de Janeiro
  • Ivan Dias Martins Rio de Janeiro
  • Jéssica Cerqueira de Carvalho Rio de Janeiro
  • Jessica Rodrigues Ramos Rio das Ostras
  • João Carlos Alvarenga Barreira Rio de Janeiro
  • João Gabriel Henriques Rio de Janeiro
  • João Luiz Luis Lellis da Silva Nilópolis
  • João Pedro Penna Cordeiro de Carvalho Rio de Janeiro
  • João Volta Redonda Volta Redonda
  • Jonathan de Oliveira Mendonca Rio das Ostras
  • Jorge Cezar Gomes Maia Rio de Janeiro
  • Jose de Arimatea Ribeiro Volta Redonda
  • José Luiz Amalio “Zé da Lata” Rio de Janeiro
  • José Roberto Nova Iguaçu
  • José Rodolfo Silveira Niterói
  • Joyce Enzler Rio de Janeiro
  • Juan Ibañez Rio de Janeiro
  • Juliana Fiuza Rio de Janeiro
  • Julio Cesar São Gonçalo
  • Karla Glória Tavares Niterói
  • Keila Lúcio de Carvalho Rio de Janeiro
  • Klaus Grunwald Rio de Janeiro
  • Lara Pinheiro Rio de Janeiro
  • Leandro Senhorinho Niterói
  • Leiane Franciane Pereira da Silva Volta Redonda
  • Leonardo Amatuzzi Rio de Janeiro
  • Leonardo Mota “Mc Leonardo” Rio de Janeiro
  • Letícia Senhorinho Niterói
  • Lídia Maria Niterói
  • Lilian Cassemiro Sampaio Rio de Janeiro
  • Lilian Matias Rio de Janeiro
  • Liliana Maiques Alves Rio de Janeiro
  • Liliana Siqueira Lemos Volta Redonda
  • Liliane Figueira Rodrigues Rio de Janeiro
  • Lissandro Garrido Rio de Janeiro
  • Lívia Cassemiro Sampaio Rio de Janeiro
  • Livia Silva da Silva Rio das Ostras
  • Lucas da Costa Brandão Rio das Ostras
  • Lucas de Mello Braga Niterói
  • Lucas Gabrielli Rio de Janeiro
  • Lucas Gandara Niterói
  • Luciano Barboza Rio das Ostras
  • Luciene Lacerda Rio de Janeiro
  • Luiz Augusto São Gonçalo
  • Luiz Felipe São Gonçalo
  • Luiz Felipe Liebermann Merino Rio de Janeiro
  • Luiz Merino Rio de Janeiro
  • Luiza Buzgaibe Niterói
  • Luiza Leite Rio de Janeiro
  • Luiza Rocha Pitta Bastos Nilópolis
  • Maiara Marinho Rio de Janeiro
  • Maila Monique Roque de Abreu Nilópolis
  • Maíra Bastos Rio de Janeiro
  • Maíra Bastos Rio de Janeiro
  • Maíra de Oliveira Alves Niterói
  • Malcolm dos Santos Almeida Rio de Janeiro
  • Manoel Couto Volta Redonda
  • Marcela Almeida Rio de Janeiro
  • Marcelo Badaró Niterói
  • Marcelo Ferrari Niterói
  • Marcio Malta (Nico) Niterói
  • Marco Antônio Coutinho Niterói
  • Marco Pestana Rio de Janeiro
  • Marcos Ramalho Niterói
  • Marcos Vinicio Anchieta da Silva Junior Rio das Ostras
  • Maria Beatriz Barmaimon Garcia Rio das Ostras
  • Maria Inês Teodoro da Silva Volta Redonda
  • Maria Jose das Gracas Teixeira Volta Redonda
  • Maria Luiza de Fátima Gonçalves Volta Redonda
  • Maria Malta Rio de Janeiro
  • Maria Paula Moreira Pimentel Bernardes Rio das Ostras
  • Mariana Cristina Moraes da Cunha Rio das Ostras
  • Mariana dos Reis Santos Rio Rio de Janeiro
  • Marilia El-kaddoum Trajtenberg Rio de Janeiro
  • Marina Eugênia Rio de Janeiro
  • Marisa Meneses Pinto
  • Martha França Rio de Janeiro
  • Matheus Lara Rio de Janeiro
  • Maxwell Schiavon Rio de Janeiro
  • Mayco Rodrigues Niterói
  • Maykeline Dos Santos Leite Rio de Janeiro
  • Mike Pontes Conrado Rio de Janeiro
  • Monica Roque de Abreu Nilópolis
  • Morena Marques Rio de Janeiro
  • Natália Dos Santos Angelo Ribeiro Itaboraí
  • Natan Reis Dos Santos Queimados
  • Nayana Braga Ribeiro Rio das Ostras
  • Niara Aureliano Rio de Janeiro
  • Orlando Cunha Rio de Janeiro
  • Osvaldo Meneses Napolitano Rio das Ostras
  • Patric Brandão Rio de Janeiro
  • Paulo Abreu Anchieta
  • Paulo Eduardo Gomes Niterói
  • Paulo Henrique Costa Dias Volta Redonda
  • Paulo Roberto Alves Anchieta
  • Paulo Vitor Oliveira Rio de Janeiro
  • Pedro Allemand Mancebo Silva Rio de Janeiro
  • Pedro Bretas Rio de Janeiro
  • Pedro Cavalcanti da Silva Rio de Janeiro
  • PollyanaLabre Rio de Janeiro
  • Rafael Henriques Rio de Janeiro
  • Raphael Mota Fernandes Rio de Janeiro
  • Raquel Sant’Ana Niterói
  • Raylane Raimundo Walker Rio das Ostras
  • Rebeca Brício Rio de Janeiro
  • Reginaldo Nilópolis
  • Reginaldo Costa Niterói
  • Rejane Gadelha Rio de Janeiro
  • Rejane Hoeveler Rio de Janeiro
  • Renata Corrêa Rio de Janeiro
  • Renatão do Quilombo (José Renato Gomes da Costa) Niterói
  • Renato Athaide Silva “Renato Cinco” Rio de Janeiro
  • Renato Cavalcante Gardel Rio de Janeiro
  • Rennan Cantuária da Silva Nilópolis
  • Ricardo Barros Filho Rio de Janeiro
  • Ricardo Paris Rio de Janeiro
  • Roberto Martins Alves Rio das Ostras
  • Rodolfo Marinho Niterói
  • Rodrigo Lamosa Niterói
  • Rodrigo Moreira de Mello Nilópolis
  • Ronnal Kelps Q. Carvalho Rio de Janeiro
  • Rosilene Clara de Andrade Silva Volta Redonda
  • Rostan Luiz Rio de Janeiro
  • Sanjo Pinto Dos Santos Rio de Janeiro
  • Sérgio Augusto Belerique Rio de Janeiro
  • Sérgio Granja Rio de Janeiro
  • Sérgio Moura Rio de Janeiro
  • Sidarta Landarini Rio de Janeiro
  • Silas Pereira de Almeida Rio de Janeiro
  • Silvana Clara de Andrade Volta Redonda
  • Sinésio Jerferson Silva
  • Suely Branco Amalio
  • Taís Magarão Rodrigues Nilópolis
  • Talita de Oliveira Miguel Rio das Ostras
  • Tamina Batan R Lima
  • Tatianny Araújo Rio de Janeiro
  • Tayna Santos Campos
  • Telma Tinoco Niterói
  • Teo Cordeiro da Cunha
  • Thales Neves Goncalves Volta Redonda
  • Thiago Arregue Rio de Janeiro
  • Thiago Vieira Rio de Janeiro
  • Tiago Sales de Lima Figueiredo Niterói
  • Vanessa Silva do Nascimento Rio das Ostras
  • Vera Lúcia Freitas Rio de Janeiro
  • Victoria Estephanie da Silva Neves Nova Iguaçu
  • Vinicius Almeida Rio de Janeiro
  • Vinicius Souza Rio de Janeiro
  • Vitor Bemvindo Rio de Janeiro
  • Vitor da Silva e Souza Rio das Ostras
  • Vitor Gabriel Ferreira de Araujo Nilópolis
  • Vitor Machado Rio de Janeiro
  • Vitor Mariano Rio de Janeiro
  • Viviane Becker Narvaes Rio de Janeiro RJ
  • Wallace de Lima Berto Rio de Janeiro
  • Wanderson Bárbio Capelloni Junior Nilópolis
  • Washington Pinheiro Rio de Janeiro RJ
  • Wesley Rodrigues de Carvalho Niterói RJ
  • Winnie Dos Santos Freitas Rio das Ostras
  • Yolanda Barmaimon Rio das Ostras