Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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Sindicato da Alimentação São José dos Campos – Muitas lições para a Conlutas Imprimir E-mail
André Ferrari - 17 de julho de 2008

O sindicato dos trabalhadores nas indústrias de alimentação de São José dos Campos e região sempre foi uma referência de combatividade no movimento sindical. Foi um dos primeiro sindicatos a se desfiliar da CUT e filiar-se à Conlutas, jogando um papel central na luta dos trabalhadores em toda a região do Vale do Paraíba no estado de São Paulo.

Infelizmente, no último período, o sindicato foi palco de um dos processos mais desgastantes e desmoralizantes que deve servir de alerta para toda a Conlutas e o conjunto do processo de reorganização sindical e popular.

Diante de um processo eleitoral para a renovação da diretoria, um grupo de diretores do sindicato decidiu adotar a política do vale-tudo na disputa pelo controle efetivo do aparelho. Decidiram formar um chapa vetando, entre outros, o principal dirigente do sindicato e um dos nomes mais conhecidos das lutas operárias na região, o companheiro Joaquim, conhecido como ‘Boca’.

Mesmo depois de uma luta insistente pela convocação de uma Convenção da Conlutas na categoria que poderia formar de forma democrática uma chapa unitária, esses diretores, agora amparados pelas duas principais forças políticas da Conlutas na região, a CST e o PSTU, optaram por provocar a divisão da Conlutas.

Processo eleitoral irregular

Mas, não foi só isso. A diretoria e a chapa 1, apoiada pela CST (majoritária na chapa) e PSTU, não apenas organizaram o processo eleitoral de forma totalmente irregular, como também passaram a utilizar todo tipo de baixarias e calunias na campanha. O companheiro Joaquim que até bem pouco tempo era um reconhecido dirigente da Conlutas e do PSTU, repentinamente, nas páginas do boletim da Chapa 1, tinha se transformado num pelego bancado pelos patrões!

Esse tipo de campanha mentirosa e moralmente baixa, sem apresentar qualquer prova, não serve aos trabalhadores. Só serve para desagregar, dividir e desmoralizar o movimento sindical combativo. A prática de fazer acusações morais contra quem apresenta divergências não é a prática da esquerda socialista democrática, é uma prática do stalinismo que devemos banir de entre nós.

A divisão da Conlutas no sindicato da Alimentação de SJC e região é de responsabilidade dos setores majoritários da Conlutas no Vale do Paraíba. O conjunto da Conlutas deve fazer um balanço desse processo e reafirmar a necessidade de Convenções unitárias para definir democraticamente a formação de chapas nos diferentes sindicatos onde houver divergências.

As irregularidades no processo eleitoral do sindicato – não respeito aos prazos, a inscrição da chapa 1 antes da votação de um regimento eleitoral e de formação de uma comissão eleitoral, a não entrega de lista de sócios correta e no prazo, as intimidações, etc – levaram a um profundo questionamento das eleições realizadas nos dias 12 e 13 de junho.

A justiça chegou a cancelar o processo, mesmo assim as eleições acabaram acontecendo sem a participação da Chapa 2. Ainda existe uma pendência judicial sobre o processo eleitoral. Mas, o mais importante é o questionamento da base da categoria. A maioria dos sócios do sindicato não votou na Chapa 1, optando por deixar de votar ou, mesmo sem a participação da Chapa 2 na coleta de votos, decidindo assinalar o voto nessa chapa de oposição. A legitimidade da atual diretoria está seriamente questionada.

Balanço necessário

O momento agora é de enfrentar os patrões na campanha salarial da categoria. Mas, também é urgente que a Conlutas faça um balanço desse processo e que conjuntamente possamos evitar que esse tipo de prática se repita. De nossa parte, estamos ajudando a construir na região uma alternativa sindical de luta, democrática e que combata esse tipo de prática sindical burocrática, sectária e aparelhista. O que está em jogo é o futuro da Conlutas e do processo de reorganização sindical no país.

 
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