Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

Tese ao V Congresso Nacional do PSOL

Construir uma alternativa socialista unitária contra o “lulismo” e a direita

Uma tese da Liberdade, Socialismo e Revolução (LSR), Grupo de Ação Socialista (GAS), Reage Socialista, Alternativa Socialista Nova Práxis e independentes.
Não ao golpe em Itaocara! Todo apoio a Gelsimar Gonzaga! Imprimir E-mail
Executiva Estadual do PSOL-RJ - 24 de fevereiro de 2016

Na noite de 23 de fevereiro, a frágil democracia brasileira sofreu mais um duro golpe. A Câmara de Vereadores de Itaocara (RJ) aprovou a cassação do prefeito, o companheiro Gelsimar Gonzaga. A acusação? “Impedir o funcionamento regular da Câmara”. A justificativa? Gelsimar teria atrasado uma suplementação orçamentária para a Câmara de Vereadores. O motivo real é que, desde o início de seu mandato, em janeiro de 2013, Gelsimar Gonzaga enfrentou as velhas práticas políticas, interrompendo a lógica de “toma lá, dá cá”, de extorsão entre o Poder Legislativo e o Poder Executivo. E, por isso, foi perseguido pelos vereadores durante todo o seu mandato.

A verdade é que a oligarquia de Itaocara e do estado do Rio de Janeiro nunca tolerou Gelsimar Gonzaga, um homem do povo, ex-cortador de cana e ex-sindicalista, que se elegeu prefeito em uma campanha com parcos recursos, feita em seu fusquinha. Primeiro prefeito eleito pelo PSOL, logo no início de seu mandato, Gelsimar deu um choque de democracia: secretários municipais foram eleitos em assembleias, com a participação de servidores públicos e da população. Também no primeiro mês de mandato, Gelsimar ganhou a antipatia da maioria dos vereadores ao não aceitar contratar uma empresa de coleta de lixo que garantiria uma “caixinha” para todos. Ao invés de privatizar, Gelsimar comprou mais um caminhão de lixo para o município, o que nunca foi perdoado pelos vereadores. Por isso, em pouco mais de três anos de mandato esta foi a terceira tentativa de cassação que sofreu, numa clara demonstração de perseguição política. As duas primeiras haviam sido interrompidas pela Justiça.

Porém, não foi “apenas” a lógica do fisiologismo na relação com o Poder Legislativo que Gelsimar rompeu. Ele também inverteu a prioridade política e de investimentos do poder público, priorizando os interesses dos mais necessitados. Comprou ambulâncias e equipamentos para os hospitais municipais, reformou escolas municipais e investiu nos servidores públicos, aumentando salários e implantando um novo plano de carreira – o que levou à melhoria dos indicadores sociais do município. Garantiu o passe livre para os estudantes do município e também para aqueles que cursam ensino superior em municípios vizinhos. Ampliou muito a coleta seletiva de lixo. Asfaltou vias nas comunidades mais afastadas, onde a população estava acostumada a andar com os pés na lama. Por tudo isso, o “governo do povo” tem o reconhecimento e o apoio da população de Itaocara.

É um ato de violência política inaceitável que – ainda mais em meio ao mar de lama em que se encontra a política nacional – um prefeito democraticamente eleito seja afastado pelo simples fato de se recusar a aceitar as chantagens dos vereadores.

O PSOL vai recorrer imediatamente à Justiça desta decisão descabida e conta com o apoio da população de Itaocara para tomar as ruas, dizendo não ao golpe. Vamos lutar para que Gelsimar possa concluir seu mandato legítimo, e que tenha a oportunidade de concorrer à reeleição.

 
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