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O problema da saúde é a burocracia? Imprimir E-mail
Luciano Alvarenga Montalvão, LSR Goiás - 01 de dezembro de 2011

Nas últimas semanas, veículos de comunicação de todo o estado, sobretudo da capital, tem ocupado grande parte de seus espaços com denúncias acerca do caos na saúde pública no estado de Goiás. Seja na televisão, no rádio ou no tradicional jornal impresso, as reportagens seguem sempre a mesma linha: apontam a precariedade do atendimento, as péssimas condições de trabalho, a falta de medicamentos e materiais básicos, as enormes filas, a evasão massiva dos profissionais de saúde, dentre outras mazelas.

A mídia, na verdade, tem “preparado o caldo” para que o Governador e o Secretário de Saúde possam reafirmar categoricamente que o problema da saúde pública no estado é a burocracia. E a solução é clara para ambos: entregar os hospitais públicos às chamadas Organizações Sociais (OS’s). De acordo com o tucano Marconi Perillo e o secretário Antônio Faleiros, os hospitais estão como estão em razão da morosidade da gestão pública, que esbarra em licitações, contratos e concursos, que levam meses, e até anos, para uma simples compra de luvas cirúrgicas, ou para a contratação de um médico.

Este argumento é demasiadamente falacioso. A situação da saúde no estado de Goiás é resultado de uma equação simples: décadas e décadas de falta de investimentos; concursos insuficientes para provimento de vagas para profissionais da saúde e funcionários administrativos; remuneração inferior àquelas estipuladas pelos conselhos profissionais; e desvio de recursos por meio de fraudes e corrupção. É bem verdade que a gestão pública tem seus entraves, mas nem o melhor dos gestores capitalistas seria capaz de administrar um hospital sem os devidos recursos e segurar médicos e enfermeiros mal remunerados e desestimulados com as condições de trabalho.


OS = privatização desenfreada

Com a implementação das Organizações Sociais, o remédio mágico apresentado por Marconi, os hospitais estaduais – patrimônio dos goianos – serão entregues à exploração de verdadeiras empresas, que terão toda a autonomia para a realização de compras sem licitação e a contratação de pessoal sem concurso. Na prática, isto significará que cada OS’s poderá – à revelia das vontades da população e sem a fiscalização dos tribunais de contas – realizar negócios com “empresas parceiras” e contratar profissionais sem nenhuma garantia de qualificação, em condições ainda piores de trabalho, e sem qualquer estabilidade.

A verdade é que essas Organizações “sem fins lucrativos” movimentam milhões de reais por ano no Brasil, e ninguém sabe exatamente a destinação deste dinheiro. Só para citar um exemplo: a OS Salute Sociale, selecionada para gerir o Hospital de Urgências de Aparecida de Goiânia (HUAPA) tem processos de corrupção e desvio de verba pública em andamento no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, seu estado de origem.

O CRER – Centro de Reabilitação Henrique Santillo, hospital goiano apontado como uma referência de sucesso da parceria público-privada, ao que parece, não é tão organizado e bem equipado como se mostra na televisão. Relatos de pacientes confirmam que é muito difícil conseguir um atendimento pelo SUS, e profissionais denunciam que no local as condições de trabalho não são muito diferentes dos demais hospitais da cidade. A parte destinada ao atendimento particular e aos planos de saúde é excepcional, de fato, mas a parte relegada ao convênio com o SUS sofre com as mesmas mazelas da saúde pública goiana.


Interesses econômicos

O caos na saúde pública é, acima de tudo, resultado de um jogo de interesses que protege empresários e donos de clínicas, hospitais particulares e planos de saúde. Uma saúde pública de qualidade, gratuita e universal, como determina a carta de princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) acabaria com os lucros exorbitantes destas empresas, que muitas vezes financiam as campanhas magistrais dos nossos políticos. E, no olho do furacão, fica a grande maioria da população: os pobres, os trabalhadores, e parte significativa da classe média, que não tendo dinheiro para arcar com os ônus de um plano de saúde, acabam ficando à mercê da dinâmica e da legislação que lhes são impostas.

O projeto das Organizações Sociais representam um verdadeiro ataque a saúde pública. Um ataque à saúde pública é um atentado ao SUS, que por sua vez é um atentado a todos nós, brasileiros.

Comentários
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nélida Heraide Santos  - Bloco Resistência Socialista na Organização do Set   |09-01-2012 13:53:28
O "caldo" da saúde pública descrita em Goiás não está diferente das demais capitais do
país.No que se refere a BH a coisa vai de mal a pior, como sabemos propositalmente!No interior do
Estado ultrapassa o caótico.Em Bh meados de 2011 conferências de saúde foram relizadas para
discutimos o SUS;Tema TODOS USAM O SUS(conf. municipal)onde os gestores muito bem articulados
conseguiram passar as PPP'S(parcerias públicoprivado)juntamente com a cooptação dos usuários.Na
conf. estadual péssimmente organizada,Sob o tema :SUS PATRIMÔNIO DO POVO BRASILEIRO(excelente
tema), mais de 80 itens ficaram sem serem discutidos e aprovados. Quando finalmente( conf. nacional)
conseguiram barrar os projetos de organizações sociais, o ministro da saúde apresentou uma
carta(doc.) no final dos trabalhos revertendo ,jogando um balde de água fria em todo árduo
trabalho dos delegados.Digo árduo, pelos obstáculos colocados para realização e conclusão das
conferências.Há uma tentiva em curso de"derrubar" manobra feita pelo do ministro porém,
até no momento sem sucesso.No meu entendimento essas conferências sem a organização dos segmento
dos trabalhadores e usuários bem esclarecidos ,tem servido somente para darmos o aval necessário
ao governo para que o próprio implemente seus interesses.Fica aqui minha opinião e tbm uma
crítica à CSP-CONLUTAS, a central a qual pleiteamos.O SINDESS sindicato da saúde privada que da
sustentação á central pouco ou quase nada acompanha ou entende de saúde ública. Saõ todos
filiados ao PSTU. Não existe uma discursão qualificada nem tão pouco aprofundada nesta pauta.Mas
eles insistem em conduzir e direcionar o GT da Saúde (pouco ou quase nada referem do setor
público).Sugiro que nós do Bloco Resistência Socialista nos empenhemos mais no direcionamento
desta e outros temas referentes à saúde pública p...
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