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Violência na escola e violência social Imprimir E-mail
Raquel Guzzo - 31 de julho de 2006

 O interior das escolas revela a realidade em que vivemos, expressão da  convivência  marcada pela intolerância, desrespeito, pela ausência de diálogo e práticas de dominação e exploração.  Professores, pais e estudantes têm sentido que a escola não consegue transformar o que está posto no cotidiano da vida. Está cada vez mais difícil viver a escola em qualquer um de seus segmentos. Há alguns anos, este quadro tem se agravado sem que políticas educacionais sejam conseqüentes à transformação desta realidade, até porque existem para mantê-la. Professores adoecem, estudantes sofrem pressões de todos os lados e escapam como podem, respondem com mais violência quando ameaçados, não vêem formas de superação, diretores desanimam diante de tantos problemas e os pais não sabem mais a quem recorrer.

Neste quadro, várias pessoas, profissionais, educadores, pais e estudantes, buscam uma solução. Com uma preocupação evidente de todos os agentes educacionais na busca de situações para “vencer” a violência dentro da escola, é preciso que este assunto seja tratado com a prioridade e importância que ele merece.

Em primeiro lugar é importante assinalar que a violência não se vence. Esta idéia de superação da violência pela violência não avança, reproduz o que está vigente, a cada vez em um nível de mais intensidade.

É preciso compreender a violência como um fenômeno psicossocial complexo pelas formas de manifestação e de suas causas. As políticas tradicionais fundadas nos princípios da sociedade capitalista burguesa acabam por manter a divisão de classes e perpetuar a cultura da violência.

Enquanto esta sociedade continuar dividida, a escola continuará a ser uma engrenagem dentro do sistema geral de exploração e dominação, com professores e diretores cumprindo um papel que não rompe com este ciclo, pelo contrário colabora e defende os interesses do estado. Instala-se um ciclo de formação e organização sobre a maneira como as pessoas se relacionam – uma cultura da violência. Romper com isto requer um movimento amplo envolvendo a todos.

Não são os psicólogos nas escolas que vencem a violência com terapias. Não são os professores que vencem a violência suspendendo os alunos ou colocando-os para fora da sala de aula. Não são os diretores que vencem a violência expulsando os estudantes e cercando a escola de policiais. A violência não se vence desta forma. Assim, apenas a alimentamos – inserimos a violência em uma rede de dominação da qual não temos escapatória.

Vivemos em um país marcado por grandes injustiças sociais. Somos alimentados diariamente com informações que reduzem a complexidade do fenômeno relacionando a violência a indivíduos ou grupos sociais. A violência ‘pode qualificar ações individuais e coletivas, mas emerge a partir de marcos sociais que têm sua origem na negação do direito a uma vida digna, na exploração de uns pelos outros.

Por isso, é preciso que a escola seja um espaço de referência para a discussão de assuntos da comunidade, de assuntos referentes à ordem social. É preciso que todos os agentes envolvidos no processo educativo busquem um sentido de existência para o currículo e promovam novas formas de relações que revolucionem o que está posto. É preciso a promoção dos direitos humanos por meio do cotidiano, como referência para a ação educativa. É preciso resgatar a vida denunciando uma realidade que a destrói.

QUE todos os que compreendem a cultura da violência como conseqüência e meio de um sistema social violento, sintam-se chamados a não alimentá-la em seu cotidiano para que, conscientes de seu papel, seja possível enfrentar com coragem esta realidade.

QUE os professores tomem consciência do quanto são explorados e humi­lhados neste sistema que espera deles exatamente o que têm vivido – um desgaste cotidiano, salário indigno, falta de condições de trabalho, exigências descabidas diante das sucessivas alterações nas políticas educacionais sem correspondência no apoio e condições de trabalho e possam construir a luta pela formação de pessoas livres e emancipadas.

 
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