Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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PSOL: A saída é pela esquerda, nas ruas e nas urnas! Imprimir E-mail
Jane Barros - 08 de maio de 2016

No dia de votação do impeachment na Câmara, os parlamentares do PSOL se destacaram pela coerência. Votaram contra o impeachment da direita, denunciaram o Cunha, assim como deixaram claro que somos oposição de esquerda ao PT.

Esta posição acertada atraiu muitos olhares indicando o espaço que existe diante do vácuo deixado pelo PT ao abandonar uma política de esquerda.

As declarações de voto na Câmara, em nome de deus, da família e da propriedade, foram também em defesa da aplicação dos pacotes de contrarreforma fiscal, da previdência e ainda mais ataques aos direitos historicamente conquistados pelos trabalhadores.

Bolsonaro coroou o “show de bizarrices” ao saudar um dos grandes torturadores, Coronel Ustra, e pelas ofensas dirigidas a Jean Wyllys, que de modo corajoso respondeu com uma “cusparada”.

Nunca foi tão urgente a construção de uma ferramenta política da esquerda, única forma eficaz de enfrentar os desmandos da velha direita e do petismo.

Contudo, apesar do acordo de que a saída é pela esquerda, as diferenças internas no PSOL ainda se expressam na construção deste caminho.

Demarcar contra a direita e o PT

Foi correta a posição do PSOL contra o impeachment, mas devemos fazer um balanço crítico da participação do PSOL nos últimos atos que antecederam a abertura do processo de impeachment. O partido poderia ter demarcado de forma mais clara suas diferenças em relação ao PT e tomado mais iniciativas de luta com outros setores da esquerda de forma independente dos governistas.

Não é possível ignorar o fato de que o PT trabalhou todos estes anos para ser o representante do grande capital controlando inclusive os levantes populares através da cooptação das principais lideranças e controle dos movimentos sociais.

Neste sentido, não existe possiblidade de lutar contra a velha direita com Dilma, Lula e o PT. Qualquer leitura que nos aproxima destes setores, numa defesa dos seus mandatos em nome da democracia em abstrato, fragiliza a nossa luta e o nosso poder de enfrentamento.

Subir nos palanques com Lula, a exemplo dos atos que antecederam o impeachment, como no Rio de Janeiro e Pernambuco, sem apontar que ao escolher a governabilidade e as alianças o PT rifou o nosso projeto, não ajuda o PSOL a construir uma real saída pela esquerda e contra este sistema político.

Entretanto, a construção deste processo não pode nos levar a saídas sectárias incapazes de dialogar com setores da classe que saíram as ruas em defesa da democracia e contra o que entendem ser um golpe, mas que não são petistas, são críticos e oposição a velha direita.

A hora agora é do PSOL chamar a unidade do conjunto da esquerda socialista e movimentos sociais, nas ruas e nas urnas, de modo a construir um polo de oposição a este sistema, apontando uma alternativa de poder.

Construir a saída nas urnas e nas ruas

Construir uma alternativa passa necessariamente pela construção das lutas concretas nas ruas, em torno de pautas e programa que sejam capazes de expressar as nossas demandas. O PSOL tem plena condição de protagonizar a construção deste processo tendo em vista sua base aguerrida, que esta a frente das principais lutas deste país, a exemplo da greve dos trabalhadores do setor público do Rio de Janeiro e a ocupação de escolas por jovens em varias cidades do país.

Esta frente social para organizar as lutas deve ser política também, e se expressar nas linhas eleitorais para as próximas eleições municipais. Diante dos últimos acontecimentos, ficou anda mais claro que o PSOL não pode dialogar com nenhum partido que compôs a base governista e tampouco que se aliou a velha direita votando pelo impeachment, à exemplo da Rede.

Não podemos ser coniventes com a construção da linha “Lula 2018” como solução para a crise em que nos encontramos. Devemos nos referenciar na independência de classe, como critério de definição de quem são nossos aliados.

Neste sentido devemos reivindicar o funcionamento das instâncias internas do PSOL, a convocação do Diretório Nacional, assim como plenárias e formas de consulta e organização da base do partido. Nossas candidaturas devem expressar a posição da base do PSOL.

Luiza Erundina certamente pode significar um ganho para o PSOL na disputa da prefeitura e São Paulo. Todavia isso não significa que o processo de construção da sua candidatura possa ser construído sem debate interno profundo. Reivindicamos que a linha da campanha de Luiza Erundina seja debatida na base do partido, através de Seminários e plenárias. Vamos defender uma campanha combativa, baseada na independência de classe e um programa socialista, tirando as lições de acertos e erros de sua trajetória.

Marcelo Freixo, Edmilson Rodrigues, Luciana Genro dentre outros candidatos (as), devem ser os arautos da radicalização da democracia, dos direitos da classe trabalhadora, dá juventude e do povo pobre. Devem se diferenciar do PT e da velha direita, colocando o socialismo na ordem do dia!

 
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