Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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Como e quem poderá vencer a direita? Imprimir E-mail
André Ferrari - 08 de maio de 2016

A votação da admissibilidade do impeachment na Câmara deve servir de lição para que o conjunto da classe trabalhadora tire as conclusões sobre a incapacidade do “lulismo” para derrotar a direita.

A votação da admissibilidade do impeachment da presidenta da República por uma malta de corruptos e reacionários reunidos na Câmara de Deputados não representou nenhum passo adiante para o povo brasileiro, pelo contrário.

Se, por um lado, é verdade que o governo de Dilma Rousseff não merece ser defendido pelos trabalhadores, daí não se conclui que a votação do impeachment represente qualquer avanço. Ainda mais vindo de quem veio.

Por trás do voto dos deputados – além da menção a deus, à família e a seus ídolos reacionários (como Moro ou o assassino Ustra) – está um projeto de aprofundamento da política de ajuste fiscal, contrarreformas e ataques aos direitos sociais.

Além disso, as ilegalidades, abusos e distorções presentes no processo de impeachment representam um péssimo precedente do ponto de vista dos direitos democráticos duramente conquistados pela classe trabalhadora e o povo.

O que a classe dominante e seus representantes políticos fazem hoje com um filha bastarda que ocupa o Palácio do Planalto, farão amanhã muito pior contra uma legítima representação dos trabalhadores que queira de fato transformar radicalmente esse país.

É por isso que nossa luta precisa continuar e mais forte que nunca. Mas, para isso é fundamental tirarmos as lições dessa derrota.

Governo é o maior obstáculo da luta contra a direita

As últimas semanas foram marcadas por amplos movimentos de massas em torno do tema do impeachment. A direita conseguiu mobilizar centenas de milhares contra o governo, principalmente entre setores de classe média alta.

Do outro lado, o aumento da agressividade da direita, acendeu um sinal de alerta para amplos setores da sociedade brasileira. Envolvendo a base tradicional dos sindicatos e movimentos ainda sob influência petista, mas também um amplo setor já desacreditado quanto ao papel do PT, vimos grandes manifestações contra o impeachment e por democracia.

Apesar do caráter governista que o PT, a CUT, a UNE e outros movimentos quiseram dar a essas manifestações, havia um forte componente crítico e de oposição presente. Não é correto dizer que a maior parte dos manifestantes simplesmente apoiava o governo. Dilma não tem, nem de longe, esse nível de apoio.

A presença de movimentos combativos e independentes do governo, como é o caso do MTST e outros movimentos da Frente Povo Sem Medo, garantiu que as manifestações também incorporassem nos seus eixos de mobilização a luta contra o ajuste fiscal e as contrarreformas, como no caso da previdência.

Apesar disso, o grande obstáculo para o movimento contra a direita e o impeachment foi o caráter do próprio governo. O governo Dilma é indefensável sob todos os pontos de vista.

Mesmo em meio ao processo de lutas massivas contra o impeachment, Dilma continuou sua política de ajuste, cortes, privatistas (como no caso do pré-sal) e até mesmo medidas repressivas como a lei antiterrorismo.

Tudo o que o movimento de massas conseguiu nas ruas em termos de fortalecer a consciência contra a direita, o governo bloqueou ao seguir nas negociatas com os partidecos fisiológicos e prometer uma reconciliação coma direita.

Dilma e o PT não podiam jogar todas as fichas no movimento de massas. Isso iria contra o seu sentido de existência, em particular nos últimos anos. O papel histórico jogado pelo “lulismo”, algo que está em seu DNA, foi o de conter os movimentos de massas e tentar promover a conciliação de classes.

Não é por acaso que, exatamente no momento em que há uma explosão de participação de massas na luta contra o impeachment, com cem mil pessoas na Avenida Paulista em 18 de março, Lula volta a assumir o figurino “lulinha paz e amor”.

Lula, Dilma e o PT não queriam vencer a direita com base numa luta de massas que também exigia mudanças na política do governo. Preferiram tentar os acordos de cúpula, o toma lá dá cá das negociatas, a compra de parlamentares. Ou seja, tudo o que vem fazendo nos últimos 13 anos e acabou conduzindo à situação atual.

Ao manter essa política, foram fragorosamente derrotados e levarão à derrota qualquer luta que encabeçarem. É por isso que os movimentos sociais e a esquerda devem desvincular-se completamente dessa prática e dessa direção fracassada como condição para enfrentar e derrotar a direita.

O pior erro da esquerda e dos movimentos sociais combativos daqui pra frente seria vincular sua luta com a perspectiva de uma candidatura presidencial de Lula em 2018. É preciso investir na luta direta e na reconstrução de uma esquerda que supere o PT e o “lulismo”.

O caminho para derrotar a direita

A luta contra a direita, seus ataques e o governo ilegítimo de Michel Temer deve se basear em um programa de reformas populares, a conquista de mais direitos e com uma clara perspectiva anticapitalista e socialista de combate ao 1% de super-ricos da população.

O caminho da vitória é o caminho das ruas, das greves e ocupações. Não é nos conchavos e na conciliação de classes.

É preciso construir as condições para uma greve geral, organizada pela base, contra as medidas de ataques aos direitos da classe trabalhadora e do povo e à democracia.

Nesse processo de lutas, é preciso reconstruir a unidade dos movimentos sociais combativos e da esquerda socialista que nãos e vendeu e não se rendeu.

Uma frente de esquerda e dos trabalhadores deve ser construída sem sectarismo e com métodos radicalmente democráticos, trabalho de base e uma linha classista capaz de reconstruir um programa socialista para a revolução brasileira.

 
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