Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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A crise política é uma crise de todo o sistema Imprimir E-mail
LSR - Liberdade, Socialismo e Revolução - 27 de março de 2016

A crise econômica mundial iniciada em 2008 se perpetua. A “marolinha” que Lula anunciou que chegaria ao Brasil transformou-se em maré cheia. A política de crédito e exportação de commodities, implantada pelo governo do PT, mostra todos os seus limites. Se funcionou durante um período, certamente agora tornou-se ineficaz.

Os bancos e empresários continuam lucrando, os políticos seguem com suas regalias e salários estrondosos intactos. São mais e mais ataques: a Reforma da Previdência agora coloca nas costas dos trabalhadores uma conta que não é nossa. Mas basta abrir o jornal ou ligar a TV nas notícias e ver que nem tudo são flores na cúpula do governo e partidos da ordem.

A crise política se intensifica, o que gera muitas divisões entre a burguesia e seus partidos. Hoje, coloca-se como tema central a operação Lava Jato, a cassação de Cunha e o impeachment de Dilma, todos esses interligados de alguma forma. Assim, embora o PT esteja sem dúvida em seu pior momento, tal crise abala outros partidos da base governista e da velha direita. A operação Lava Jato, por exemplo, envolve partidos como o PMDB, PP, PSDB, etc.

Sendo considerada a maior operação contra a corrupção já operada no Brasil até hoje, com quase 500 pessoas e empresas sob investigação, seus desdobramentos são dos mais diversos e cutucam políticos e empreiteiros do alto escalão, que normalmente são blindados nesses processos.

Se há divisões no campo da corrupção e poder, esses mesmo partidos estão unidos para empurrar o ajuste fiscal para as costas dos trabalhadores. Aécio Neves (PSDB) já se declarou favorável à Reforma da Previdência proposta pelo Governo, na condição de que a presidenta convença seu próprio partido e sua base aliada. As declarações do ministro Jaques Wagner de que a Reforma da Previdência é o legado que Dilma deixará, revelam também que a aposta desse Governo para enfrentar a crise política é aliando-se com os interesses da burguesia.

Sangrar Dilma e retirar Lula do jogo eleitoral é o objetivo principal da direita tucana e seus aliados no judiciário e na mídia.

Não há dúvidas de que o cerco sobre Lula visa desgastar ao máximo o único candidato minimamente viável do PT nas eleições de 2018. Lula e o PT são os responsáveis por dar à direita essa oportunidade. Chega a ser deprimente ver a figura do antigo líder operário transformada num lobista a serviço das empreiteiras e grandes empresas.

Enquanto isso, tucanos corruptos em todos os níveis são poupados e mantém seus esquemas. Alckmin é o maior exemplo disso. As recentes acusações sobre FHC e seu esquema ilegal de repasse de verbas para uma ex-amante não são nada em comparação com a privataria, a compra da reeleição, etc.

Defendemos que todos os casos de corrupção devem ser apurados até as últimas consequências. Corruptos e corruptores devem ser punidos e todo o dinheiro roubado deve ser devolvido aos cofres públicos. Empresas envolvidas em esquemas de corrupção devem ser expropriadas sob controle dos trabalhadores. Transparência e controle público também devem ser implementados em todas as esferas do Estado. No entanto, é escancarada a incapacidade ou legitimidade de que os governantes atuais possuem de julgar qualquer caso de corrupção, por estarem comprometidos em acordos, negociatas, trocas de favores e serem tão corruptos quanto.

A conjuntura revela, mais do que nunca, que a democracia real não pode e não deve se esgotar apenas no voto. A crise política é uma crise de todo o sistema político brasileiro. A população precisa fortalecer uma alternativa por fora dos espaços institucionais. Para a corrupção, é preciso criar mecanismos de controle popular, comissões populares de inquérito, composta por representantes sindicais, populares, estudantis, intelectuais, etc.

Fortalecer a luta direta, como os estudantes e os trabalhadores, além de frentes de luta contra o ajuste fiscal são essenciais para resistir aos tremendos ataques que os partidos da ordem reservam para o povo.

 
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