Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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Nota da LSR diante do aprofundamento da crise política e dos ataques sobre os trabalhadores Imprimir E-mail
Comitê Executivo da LSR - 06 de março de 2016

Por uma luta unitária em defesa dos direitos e para derrotar os ataques do governo Dilma e a direita!

O Brasil mais uma vez se encontra em um momento político decisivo. Em meio à mais grave crise econômica e social das últimas décadas, a crise política também se aprofunda e a dinâmica da conjuntura se acelera.

O abusivo mandado de “condução coercitiva” exercido pela Policia Federal sobre o ex-presidente Lula no dia 04 de março, visando colher seu depoimento como parte da 24ª fase da Operação Lava Jato, polarizou o cenário político mais uma vez.

A operação da Polícia Federal aconteceu imediatamente depois do vazamento de um suposto depoimento dado à força tarefa da Lava Jato pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS), ex-líder do governo Dilma no Senado.

No depoimento, Delcídio acusa tanto Lula como Dilma de envolvimento descarado no esquema de propinas da Petrobras, além de iniciativas visando barrar as investigações sobre o mega esquema de corrupção na empresa.

Delcídio, um ex-tucano que trouxe para os governos do PT os velhos esquemas de corrupção já presentes no governo de FHC, é um símbolo do fracasso da política petista e lulista de aliança com a burguesia, com a direita e adaptação ao sistema político apodrecido.

Esses fatos aceleram a dinâmica política no país e abrem uma nova etapa da crise.

Cabe à esquerda e aos movimentos da classe trabalhadora que não se venderam e não se renderam assumir seu papel nesse momento decisivo. E esse papel não é de alinhamento automático com o governo ou com as manobras da direita contra o governo, mas sim de lutar por seus direitos ameaçados e acumular forças para a construção de uma alternativa de classe no país.

Não somos favoráveis à proposta de impeachment em debate no Congresso Nacional pela simples razão de que esse Congresso está controlado por uma máfia corrupta, equivalente àquela presente em outras esferas de governo. Basta ver a figura de Eduardo Cunha, réu segundo decisão do STF e ainda presidente da Câmara. Também de nada adianta derrubar Dilma e colocar em seu lugar coisa pior ou equivalente, como Temer, Cunha ou Renan.

Isso, porém não significa que sairemos às ruas em defesa de um governo comprometido até a medula dos ossos com as empreiteiras, bancos e o agronegócio.

Desde o ano passado, diante da ameaça de impeachment e o cerco sobre lideranças petistas e do governo, Dilma Rousseff optou por entregar a cabeça dos trabalhadores em uma bandeja ao grande capital em troca da manutenção de seu mandato.

O governo do PT aceitou a chantagem do PSDB e apoiou o projeto de lei que entrega o pré-sal às multinacionais do petróleo, apoiou uma lei antiterrorismo que permite a criminalização dos movimentos sociais e está propondo contrarreformas na previdência e na legislação trabalhista, além de uma reforma fiscal que só vai aprofundar de forma estrutural os cortes nos gastos sociais.

Mas, nada disso serviu para garantir o mínimo de estabilidade ao governo e ao PT. A política econômica recessiva, que mantém os juros na estratosfera e garante o pagamento do serviço da dívida pública a um punhado de especuladores enquanto sacrifica milhões, só serviu para aumentar a instabilidade social e piorar a situação.

Com essa política, o governo tornou-se indefensável aos olhos de milhões de trabalhadores. Indefensável também para a esquerda socialista digna desse nome.

Em primeiro lugar é preciso dizer claramente que exigimos uma investigação séria e a punição de todos os culpados pelo envolvimento em esquemas de corrupção. Isso vale para corruptos e corruptores, para membros do atual governo e dos governos anteriores, para o governo federal e também governos estaduais e municipais.

Ao mesmo tempo, não podemos manifestar qualquer ilusão nos novos “salvadores da pátria” colocados em um pedestal de ouro pela grande mídia. Muitos dos métodos discricionários e abusos cometidos pela Polícia Federal, Ministério Público e Poder Judiciário na situação atual serão também utilizados contra a legítima atuação da esquerda socialista e os movimentos da classe trabalhadora. Métodos muito piores já são usados nas periferias e comunidades pobres numa verdadeira criminalização da pobreza.

A investigação e punição seletiva que hoje atinge o PT e absolve ou ignora o PSDB reflete o fato de que o PT perdeu sua utilidade para o grande capital. Enquanto foi útil freando as lutas, promovendo o pacto e a conciliação de classes e garantindo estabilidade para o agronegócio, bancos e grandes empresas, o PT contou com relativa complacência do grande capital e do imperialismo. O cenário hoje é bastante diferente.

Apesar de todo o discurso de Lula sobre retomar a ofensiva e resistir, o fato é que as alianças estruturais do próprio Lula e do PT com o que existe de mais podre na burguesia e no sistema político brasileiro impossibilitam uma reação efetiva de sua parte.

Cabe à classe trabalhadora, à juventude e todos os que sofrem com a crise darem uma resposta efetiva. Essa resposta não é em defesa de um governo que traiu os trabalhadores. Também não é para jogar água no moinho da direita. É uma resposta para barrar as políticas de ataques que tanto Dilma quanto os tucanos estão implementando. Nisso eles estão unidos contra nós.

Aqueles que querem transformar os Atos de 8 de março e outras ações de luta contra os ataques do governo em mobilizações em defesa de Dilma ou Lula trabalham para a derrota da luta contra o ajuste e os ataques.

É preciso unificar as greves em curso, como a dos professores e servidores estaduais do Rio de Janeiro, assim como as outras iniciativas de luta dos trabalhadores e a juventude. É preciso construir um dia nacional de lutas unificado e criar as condições para uma greve geral que derrote o programa unificado do grande capital contra os trabalhadores.

Nesse processo de lutas, partidos como o PSOL, PSTU e PCB e movimentos combativos como a CSP-Conlutas, Intersindical e MTST poderão construir as bases de uma alternativa política efetiva para o país. Uma alternativa capaz de colocar em xeque esse sistema político e não compactuar com ele como fez o PT. Uma alternativa que defenda as reivindicações dos trabalhadores nos marcos de um programa anticapitalista e socialista.

CE da LSR, 06/03/16

 
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