Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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Zika: Mais um sintoma de um sistema político doente Imprimir E-mail
Isabel Keppler - 08 de dezembro de 2015

No dia 28 de outubro, o Ministério da Saúde confirmou a relação entre o zika e a microcefalia a partir do exame em um bebê no Ceará, que continha presença do vírus em amostra de sangue e tecidos. Pernambuco, que já chega a quase 500 casos registrados, decretou em seguida estado de emergência devido às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti - para além do zika, também dengue e chikungunya.

Há alguns meses, o surto de casos de microcefalia tem assombrado grávidas no Brasil, sobretudo no Nordeste. Enquanto a média anual é de 150 casos, em 2015 já ultrapassa em 700 casos. Essa semana, no RJ, confirmou-se em 11 bebês. Em Natal (RN), três bebês por dia são notificados.

O zika não é a única novidade. Apesar de todo ano ser notícia, os casos de dengue também cresceram drasticamente esse ano - cerca de 176%! Segundo o Ministério da Saúde (MS), até meados de novembro foram identificados 1,5 milhão de ocorrências, superando os 555,4 mil do ano passado. Logo no início do ano, em São Paulo, quando anunciou-se a crise hídrica, cresceu em 57% as ocorrências.

Um especialista que estuda o vírus a mais de 35 anos constatou, em entrevista para o Globo, que estão de "mãos e pés atados". Pedro Fernandes da Costa Vasconselos diz que tratava-se de um vírus sem importância e, subitamente, tornou-se uma ameaça. Há pouco conhecimento sobre ser o único responsável pelos casos de microcefalia, ou se é a combinação com mais algum outro elemento, qual população de risco etc. Por isso, é fundamental que rapidamente haja investimento nessa área. De qualquer forma, sabe-se que o agente do vírus é o mosquito Aedes aegypti e, nesse caso, é possível e necessário resolver.

É preciso nomear os responsáveis para chegar a essa situação

Basta começar o verão e as notícias sobre casos de dengue começam a aparecer. Não é surpresa alguma a necessidade de combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti. No entanto, o que se vê é cada vez mais cortes na saúde e em outras políticas essenciais para o combate, como é o caso do saneamento.

Nesse ano, o ajuste fiscal atacou, especialmente, as pastas de Saúde, Educação e Cidades, chegando a quase 70 bilhões no total de cortes. Os direitos do povo são os primeiros a serem cortados em tempos de crise econômica, ainda que o dinheiro destinado à dívida pública seja 13 vezes superior ao orçamento da saúde, por exemplo. Atualmente, 47% do orçamento da União vai para o pagamento da dívida pública, alimentar os bolsos dos banqueiros, ao invés de garantir vida digna de milhares de pessoas.

Um diretor do Ministério da Saúde, Claudio Maierovitch, chegou a fazer a infeliz declaração de que a melhor prevenção no momento é não engravidar. Apesar do MS declarar que essa não é uma orientação do órgão, bem que poderia ser. Afinal, as medidas realizadas até agora para erradicar as doenças provocadas pelo mosquito são uma piada.

Outro infeliz comentário sobre a conjuntura foi a do próprio Ministro, Marcelo Castro (PMDB) ao dizer que "sexo é para amadores, gravidez é para profissionais", responsabilizando as mulheres e não o governo pela situação que está hoje. Ao mesmo tempo, afirmou que até então "se combatia a dengue, mas não pra vencer". Foi preciso chegar a esse ponto para então começar a pensar estratégias. No meio disso, foram centenas de uma geração com o futuro interrompido, além de muitas famílias com suas vidas abaladas.

Deveria ser crime o que acontece nas filas do SUS e nos bairros, com gestantes que querem ter seus filhos mas sequer tem a oportunidade de serem atendidas e acolhidas, que não possuem estrutura para terem uma vida digna. Não seremos responsabilizados pelas tragédias. A população precisa se organizar e mostrar aos governantes que com saúde não se brinca.

É preciso exigir que se faça uma campanha intensiva de informação à população. O Ministério da Saúde precisa se retratar pelas infelizes declarações que culpabiliza as mulheres grávidas. A falta de informação ou informação equivocada só agrava, como se não bastasse a dor, o sofrimento e o pavor que milhares de mães, parceirxs e familiares estão passando.

O governo precisa garantir que sejam veiculados nos grandes canais de imprensa as informações corretas diferenciando o sintoma de cada vírus, orientando como prevenir, o que fazer em casos de suspeita de alguma dessas doenças.

Também é preciso contratação imediata de profissionais da saúde, além de kits com testes rápidos para diagnóstico, não apenas nas unidades do SUS mas também percorrendo os bairros onde o índice é maior e o acesso ao SUS é mais difícil.

Essa epidemia só aponta com mais força a urgência da população ir às ruas contra o ajuste fiscal de Dilma e Levy. Não podemos arcar com mais cortes na Saúde, Educação, Cidades e outros. Precisamos de mais investimentos! Chega de lucro aos banqueiros e empresários! Chega de aumento de salários e regalias aos políticos! Eles que paguem pela crise! A nossa vida e das futuras gerações é que devem ser prioridade.

 
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