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A luta por creches Imprimir E-mail
Kátia Sales, Coletivo Estadual de Mulheres do PSOL SP e Executiva do Movimento Mulheres em Luta - 13 de setembro de 2011
O desenvolvimento econômico e a expansão da economia na década de 70 resultou numa maior participação das mulheres no mercado de trabalho. Foi neste contexto que surgiu o movimento de luta por creches no Brasil.

A LDB de 1996 considerou a educação infantil (0 a 5 anos) um dever do Estado e um direito da criança. Com os escassos recursos destinados à educação fundamental, os municípios acabam não priorizando a educação infantil.

Enquanto a demanda por creches continua alta, o acesso fica restrito a poucos, sujeitos a critérios definidos pelas próprias unidades de ensino infantil, onde a lista pode superar dois anos de espera e ainda se exige que a mãe esteja trabalhando. Ora, se não tem creche, não tem como a mãe trabalhar e se a mãe não esta trabalhando fora, não tem creche. Mais uma vez, o Estado como reprodutor da cultura machista joga para as mulheres a responsabilidade de cuidar e manter seus filhos na escola.


10 milhões de crianças sem acesso à creche

Segundo o Ipea/Dieese o percentual de crianças de 0 a 3 anos matriculadas na educação infantil é de 18,4% enquanto a meta do PNE-2001-2010 previa 50% no final desta década. Estima-se que cerca de 10 milhões de crianças nesta idade estão sem acesso a creche.

As mães são obrigadas a deixar seus filhos sob os cuidados de terceiros, avós, irmãos mais velhos, ou mulheres desempregadas das comunidades onde moram que “olham” os filhos da vizinha por uma média de R$ 200 reais por mês sem contar a alimentação, produtos de higiene, e infra estrutura adequada. Mas este valor só é possível quando a mulher recebe mais de R$ 600, o que significa um grande aperto em seu orçamento.

Em 2010, o Proinfancia, programa do governo federal para a construção de creches e uma das principais bandeiras de campanha de Dilma, não conseguiu cumprir a meta de 800 unidades previstas pelo FNDE, pois apenas 628 unidades foram autorizadas. Mas, pior ainda foi a constatação (site UOL em 09/09/2010) que das 2.003 creches e pré escolas com verbas liberadas nos anos de 2007, 2008 e 2009, apenas 39 unidades foram construídas.


ADI são Educadoras, não “tias”

O descaso com a educação infantil é tamanho que as profissionais que trabalham com as crianças não são reconhecidas com o cargo de professor, mas como ADIs (Assistente de Desenvolvimento Infantil). Porém este tratamento não se justifica e o reconhecimento profissional tem que fazer jus à isonomia do cargo/emprego e salário previstos no Art .39, parágrafo 1 da Constituição Federal.

Desta forma se faz necessária a combinação da luta por creches, entre trabalhadoras e usuárias, com a luta pelos 10% do PIB para a educação, para que estes recursos possam ser também revertidos para a construção de mais creches e que as trabalhadoras possam receber como Educadoras e não mais como “tias”. Só conseguiremos fazer valer as leis se houver pressão e organização popular cobrando o seu cumprimento. Lei é lei e vida é vida, e para nós mulheres a vida não tem sido nada fácil.

A luta das mulheres é a luta da classe trabalhadora!

Dados da Cartilha Nacional por Creches – Resoluções do Seminário Nacional de Creches – MML CSP-Conlutas Central Sindical e Popular

  

Comentários
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Solange Aparecida Silva  - LUTA POR CRECHES   |05-12-2012 08:51:41
Boa tarde, sou estudante de Ciências Socias e estou fazendo uma pesquisa sobre luta por creches em
São Paulo, gostaria de saber, se vocês tem dados oficiais da quantidade de crianças que aguardam
por vagas em sâo Paulo, estes dados podem ser de até 2010, por que no site da Prefeitura acredito
de não seja o real, gostaria de fazer um comparativo, e se tiver reportagem sobre movimento de
luta por creches em SP, também gostaria de receber. desde já agradeço.
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