Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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Ocupar os espaços sem que nossos corpos sejam invadidos! Imprimir E-mail
Mulheres da LSR - Célula Sul-Fluminense - 06 de abril de 2016

A Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) acabou de passar por mais um de seus incontáveis episódios de estupro e assédio sexual.

A UFRRJ carrega diversos problemas que colaboram para o distanciamento do ‘problema x solução’ dos abusos sexuais, estupros, entre outras agressões dentro do campus. Ela, assim como todas as outras Universidades do país, não possui um serviço de denúncias, o que dificulta muito a averiguação dos fatos relativos a violência de todos os tipos cometidos por alunos, trabalhadores do local ou pessoas de fora que circulam dentro do campus. Isso faz com que toda vítima tenha que “aguardar esperançosamente” para que alguém da reitoria tenha o “bom coração” de tomar alguma atitude – acionando a polícia, exigindo seguranças rondando o campus para combater violência e assaltos, expulsando alunos abusadores etc – e prestar apoio.

Há ainda fatores como a má iluminação, ausência de policiais nas redondezas, nenhuma expectativa de guardas especializados na segurança das e dos alunos dentro do campus, poucas câmeras de segurança, falta de políticas para as mulheres, nenhum incentivo ao trabalho de conscientização sobre opressões e violências, nenhuma prestação solidária às vítimas ou se quer sinal de ajuda, nem serviço psicológico destinado à mulheres que sofreram violência sexuais etc, que além de nos isolar na violência cotidiana ainda joga toda a responsabilidade de resolução em cima de nós, mulheres!

A reitoria da UFRRJ frente ao último caso relatado de estupro se colocou no luxo de fingir que não tem acontecido nenhuma “violência relevante” nos domínios da universidade. Se disponibilizar para resolver as violências cometidas contra as mulheres no campus sejam elas verbais, psicológicas, físicas ou morais não é uma questão de tomar um “lado político”, mas sim de exercer a empatia e o que se conhece por Direitos Humanos. O mínimo que se espera da instituição é o zelo pela integridade dos e das alunas, a ausência desse mínimo primordial frente a uma ocorrência tão grave demonstra a tamanha negligência dos órgãos da UFRRJ.

Nós vivemos numa cultura patriarcal onde o homem tem uma posição hierárquica privilegiada sob nós mulheres que nos relegou, desde o início da propriedade privada na História, aos espaços privados – seja através do medo ou seja através da proibição. Conseguimos à muito custo ocupar os espaços públicos, votar, exercer cargos denominados masculinos, conquistar a formação superior etc. Entretanto, o machismo estrutural, como um sustentáculo importante do patriarcalismo, ainda é muito latente na sociedade, ele nos objetifica, nos rebaixa, nos agride do verbal ao físico e tomam decisões autoritárias e opressoras sob nossos corpos. A Universidade deveria ser a ferramenta mais eficaz na formação de uma sociedade com caráter mais empático e progressista. Mas infelizmente o que temos são reitorias omissas e, por conseguinte, concordante com as violências e os violentadores.

Essa não é uma simples nota de repúdio, é um manifesto dizendo CHEGA às violências contra as mulheres dentro das Universidades, a começar pela UFRRJ. Nós não vamos parar de lutar, de denunciar, de divulgar, de exigir, de nos organizar, de repudiar, de alarmar todo esse silêncio, toda essa falta de ação diante de episódios cruéis de ataques físicos e psíquicos.

Nossas roupas não são um convite, nossa existência não é um convite! Não existe culpa em vítimas! Não haverá silenciamento de violência!

Todas as mulheres do campus – professoras, terceirizadas, alunas calouras ou veteranas, visitantes, sejam elas heterossexuais, lésbicas, bissexuais e/ou trans – devem se sentir seguras nos espaços acadêmicos ou festivos. E se não nos disponibilizarem o conforto da segurança que assiste aos homens heterossexuais, nós vamos conquistar com luta e união mais uma vez na História!

Queremos construir uma sociedade onde possamos usufruir dos espaços públicos sem que corramos o risco de sermos invadidas ou ameaçadas. Quanto mais violência será preciso para que a reitoria também queira construir conosco?

 
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