Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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Construir uma central efetivamente unitária Imprimir E-mail
Miguel Leme, diretor da Apeoesp pela Oposição Alternativa e membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas - 06 de dezembro de 2010
Avançar na repactuação entre CSP-Conlutas, Intersindical e demais setores

2011 será um ano de muitas lutas para a classe trabalhadora brasileira. O governo Dilma já sinalizou que no ano que vem, não só dará continuidade à política neoliberal do governo Lula, mas aprofundará medidas de ataques aos trabalhadores.

Dilma mal assumiu o governo e se vê obrigada a enfrentar uma greve do judiciário federal que já se levanta contra o veto anunciado pelo Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ao plano de carreira da categoria.

Mas não é só o judiciário. Para manter o superávit primário para o pagamento dos juros das dívidas interna e externa, o governo pretende através do PLP 549/2009 que o conjunto dos servidores federais fiquem com os seus salários congelados por 10 anos.

 
Reforma da previdência

Além desses ataques ao funcionalismo federal, o governo estuda a melhor forma de implementar uma nova reforma da previdência. Há setores ligados ao sistema financeiro que sugerem que a implementação da reforma da previdência ocorra de forma fatiada para evitar uma resistência unificada do conjunto dos trabalhadores brasileiros.

Uma primeira medida, seria a regulamentação imediata dos fundos complementares de previdência, atendendo desta forma os interesses dos banqueiros.

Uma segunda medida estaria relacionada à uma elevação da idade mínima para a aposentadoria do setor público; e por último, que esta idade mínima também seja estendida para o setor privado.

Em relação ao salário mínimo, a proposta do governo é vergonhosa. Propõe elevar o salário mínimo dos atuais R$ 510,00 para míseros R$ 540,00, repondo simplesmente a inflação do último ano. A proposta das centrais sindicais é vergonhosamente rebaixada. Aceitam a lógica de ajuste fiscal do governo e defendem que o novo salário mínimo seja elevado para apenas R$ 580,00.

A resistência a esses ataques que virão não será realizada pela CUT, MST e a UNE, pois declararam apoio a Dilma nas eleições e continuarão atrelados ao governo.

A resistência terá que ser organizada pela esquerda combativa, que neste momento encontra-se fragmentada.

Em vista disso, é uma necessidade histórica da classe trabalhadora brasileira a construção imediata de uma central sindical e popular efetivamente unitária.


Desfecho do Conclat: derrota da nossa classe

O que poderia ter resultado na formação de uma forte organização de luta unitária, acabou resultando numa grande derrota. Uma derrota para todos os setores envolvidos, sem exceção. Uma derrota para o conjunto da nossa classe que só interessa aos pelegos, patrões e ao governo.

É doloroso hoje constatar que havia condições para concluirmos o Congresso de forma positiva, apesar dos limites na discussão política e as diferenças existentes, com um pouco mais de tolerância diante das divergências e senso de responsabilidade sobre o que estava em jogo.

Essa responsabilidade faltou ao PSTU que junto com o MTL insistiu até o fim no nome “Conlutas-Intersindical – Central Sindical e Popular”.

Ao mesmo tempo, não concordamos com a postura das correntes da Intersindical, da Unidos e outros setores que abandonaram o Congresso. A luta contra a postura hegemonista do PSTU poderia e deveria ser travada nos marcos de uma mesma organização.


Falta de sensibilidade

A primeira reunião da nova Central criada no Conclat poderia ter sido o primeiro passo no processo de repactuação. O ajuste em relação ao nome da nova central assumiu importância fundamental, pois ele poderia ser a sinalização dos setores que ficaram aos que abandonaram o Conclat de que a repactuação era possível e necessária.

Nós da LSR/BRS (Bloco de Resistência Socialista), em unidade com os companheiros do MTST e do Andes, defendemos que a melhor sinalização seria que a Coordenação Nacional aprovasse que o nome da nova Central fosse Central Sindical e Popular (CSP).

Infelizmente, este não foi o entendimento do PSTU, que impôs a sua maioria e aprovou que a nova Central se chamaria CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular.

A partir dessa deliberação, vários setores minoritários da CSP-Conlutas como MTST, Andes e nós da LSR/BRS, conseguimos um compromisso político do PSTU, que caso avançasse o processo de repactuação com os setores que abandonaram o Conclat, o nome pudesse e devesse ser revisto.

Avanço na segunda Coordenação Nacional da CSP-Conlutas

Antes da realização da segunda reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, houve uma resistência do PSTU em aceitar uma resolução que sinalizasse de forma mais explícita a disposição da CSP-Conlutas em retomar efetivamente as negociações com os setores que abandonaram o Conclat.

Felizmente, devido a pressão de várias entidades e correntes da CSP-Conlutas como MTST, Andes e nós da LSR/BRS, foi possível construir uma resolução com sinalizações concretas para que as negociações para a repactuação fossem retomadas.

A resolução aprovada tem os seguintes aspectos:

• Localiza as perspectivas de mais ataques ao conjunto dos trabalhadores em 2011, em particular a reforma da previdência,

• Propõe uma unidade de ação com todos os setores que queiram barrar esse e outros ataques.

• Sobre a reorganização, reafirma a disposição de dialogar sobre todos os temas (com os setores que abandonaram o Conclat), mesmo os mais espinhosos, colocados no debate, em particular o funcionamento da Central, a composição de sua direção e o nome.

• Mais adiante, a Resolução afirma que a Coordenação Nacional delega à Secretaria Executiva a condução desse debate, devendo a Secretaria destacar companheiros/as com a tarefa de fazer fluir e avançar as discussões e as propostas que serão encaminhadas à Coordenação Nacional.

Após a II Reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas, foi realizada uma reunião da representação da CSP-Conlutas com os setores que abandonaram o Conclat.

Esta reunião foi importante, pois retomou de forma mais concreta as discussões para a repactuação.

Um dos encaminhamentos centrais desta reunião foi o prosseguimento da repactuação através de um cronograma de aprofundamento dos seguintes temas: funcionamento da direção, nome, composição da direção, posição da Central frente às diferentes táticas de atuação dos diversos setores nas entidades de base e o fórum para a formalização da repactuação.

A vitória da esquerda na recente eleição do sindicato dos metroviários de São Paulo mostrou que a unidade da esquerda combativa é possível e necessária para se derrotar as direções pelegas e governistas e fazer o enfrentamento consequente contra os ataques de patrões e governos.

Nós da LSR/BRS, mesmo reconhecendo todas as dificuldades presentes no processo de reorganização, apostamos no processo de repactuação que poderá conduzir a construção de um central sindical e popular efetivamente unitária. Acreditamos que é possível acordos em todos os temas que serão debatidos.

Em relação ao funcionamento da direção, já há praticamente um consenso de as questões fundamentais relacionadas à estrutura e organização da nova Central serão deliberadas por 2/3. As questões políticas do dia a dia serão definidas por maioria simples.

Há um entendimento de que se houver acordo no funcionamento e na composição da direção, o nome da nova central poderá e deverá ser alterado.


Repactuação é necessária e possível

Em relação à composição da direção, apesar de haver um acordo de que a proporcionalidade deva ser respeitada, há discordâncias em relação ao espaço em que essa proporcionalidade poderá ser aferida.

Alguns companheiros da direção do PSTU têm afirmado que é praticamente impossível aferir a proporcionalidade que havia no Conclat. Argumentam que não houve nenhuma grande votação em que fosse possível verificar a correlação de forças e que isso só seria possível com a realização de um novo congresso unitário. Nós da LSR/BRS discordamos dessa visão.

Entendemos que todas a correntes e forças políticas que participaram do Conclat tiveram acesso aos números e a radiografia política das delegações da entidades, mesmo porque, todos os delegados foram eleitos defendendo alguma das teses inscritas.

Propor a realização de um novo Congresso para aferir a proporcionalidade para a composição da direção significa jogar toda a esquerda sindical e popular combativa do país num processo interno de disputa que poderá prejudicar a unidade e as lutas necessárias contra os ataques do governo Dilma.

Por esse motivo, nós da LSR/BRS, acreditamos que é possível chegarmos a um acordo na composição da nova Central tendo como referência a proporcionalidade do Conclat.

Além disso, entendemos que o espaço em que será formalizada a constituição desta nova Central poderá ser uma Plenária ou mesmo uma Reunião de Coordenação Nacional.

  

Comentários
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Ovidio Carvalho  - sobre o conclat   |11-03-2011 06:14:15
companheiro Miguel,
tenho total acordo com o posicionamento e balanço do conclat que os
companheiros fazem. Fizemos um esforço tremendo, numa viagem de três dias para Santos para vermos
o sectarismo de um lado(pstu) e o oportunismo de outro(direção do psol)quase destruirem um
processo tão importante para a classe trabalhadora brasileira. Esperamos, depois de nossa fusão em
março, atuar juntos com os companheiros do LSR no próximo período, tanto na repactuação
sindical, quanto no psol.
Ovídio Carvalho
Construção Socialista(CS-Pa)
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