Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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Toda solidariedade aos trabalhadores sem-terra de Quedas do Iguaçu (PR) Imprimir E-mail
Vinicius Prado - 09 de abril de 2016

Na última quinta-feira (07/04), trabalhadores sem-terra do acampamento Dom Tomas Balduíno, em Quedas do Iguaçu, no Paraná, foram surpreendidos por uma emboscada organizada pela Polícia Militar e por “seguranças” da empresa Araupel, resultando na morte de dois trabalhadores e vários feridos.

O acampamento existe desde 2015 e possui aproximadamente 1.500 famílias Está localizado no terreno Rio das Cobras, que foi grilado pela empresa Araupel. A Justiça Federal já se posicionou contra a grilagem da empresa, declarando aquelas terras como públicas - portanto, a ocupação do MST de tais terras públicas é no sentido de garantir o uso social e legal.

Como relatam os companheiros do MST, em momento algum houve confronto. Cerca de 25 trabalhadores sem-terra circulavam de caminhonete e motocicleta, a seis quilômetros do acampamento, dentro do perímetro da área decretada pública pela justiça, quando foram surpreendidos pelos policias e seguranças entrincheirados. Estes atiraram no veiculo onde se encontravam os sem-terra que, para se proteger, correram mato adentro em direção ao acampamento, na tentativa de fugir dos tiros.

A PM confirmou que os dois corpos foram recolhidos de dentro da mata. Todos os feridos foram atingidos pelas costas, o que mostra que estavam fugindo e não enfrentando a PM e os seguranças.

Não bastasse o brutal ataque aos sem-terra, a PM ainda isolou o local por mais de duas horas, impedindo o socorro imediato das vítimas e o registro da cena do crime para posteriores investigações. Tanto as vítimas como os objetos da cena do crime foram removidas pelos policiais sem nenhum registro e nem chegada do IML.

As vítimas que foram levadas aos hospitais, a maioria para a cidade de Cascavel, foram isoladas por horas, deixando seus familiares sem notícias. Nem mesmo advogados presentes no local puderam ter acesso aos feridos, que estão sendo tratados como presos, chegando a ser algemados nas macas em que esperam atendimento.

Infelizmente, o Massacre de Quedas do Iguaçu não é um fato isolado no contexto social brasileiro. Desde as origens da ocupação do território brasileiro, a posse da terra sempre foi um privilégio das elites e, cada vez mais, os trabalhadores do campo são expulsos de suas terras pelos interesses do capital. Aqueles e aquelas que ousam lutar pelo direito de permanecer no campo são criminalizados, perseguidos e assassinados.

Por isso tudo, nós da LSR manifestamos nossa irrestrita solidariedade aos companheiros do MST do acampamento Dom Tomas Balduíno em Quedas do Iguaçu, e a todas e todos que lutam por uma real Reforma Agrária. A terra devem pertencer a quem nela produz!

  • Imediata investigação, prisão dos policias e seguranças e punição de todos os responsáveis - executores e mandantes - pelo crime cometido contra os trabalhadores rurais sem-terra.
  • O afastamento imediato da Polícia Militar e a retirada da segurança privada contratada pela Araupel.
  • Garantia de segurança e proteção das vidas de todos os trabalhadores acampados do Movimento na região.
  • Que todas as áreas griladas pela empresa Araupel sejam destinadas para Reforma Agrária, assentando as famílias acampadas.
 
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