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Unifesp Baixada Santista – Um Campus em Luta por uma Expansão com qualidade Imprimir E-mail
Mauricio de Oliveira Filho – Estudante de Serviço Social da Unifesp Baixada Santista - 07 de setembro de 2011

O Campus Baixada Santista da Unifesp foi o primeiro campus de expansão desta Universidade, inaugurado em 2006. Desde então, sua realidade é a de uma infraestrutura precária que se agrava a cada ano, com a chegada de novos estudantes.

Não há um prédio próprio. Nos prédios alugados não há salas de aula suficientes, a rede de computadores é pequena e lenta, há goteiras pelo prédio, forros caindo e abrigando pombos. Além disso, somam-se problemas referentes à administração, como uma recorrente exigência de crachá para o ingresso nos prédios, a política de Assistência Estudantil e a proibição de que os estudantes permaneçam no prédio em horários em que não haja também professores.

Contudo, com os problemas, logo veio a indignação e com esta, a luta. Em 2009, estudantes se mobilizaram em torno, principalmente, da entrega do prédio definitivo e da política de permanência estudantil. Em 2010, estudantes e professores mobilizaram-se em greve por mais de dois meses, com apoio dos servidores técnico-administrativos mobilizados, e conseguiram vitórias como convênios com restaurantes, transporte gratuito entre os prédios do campus nos horários de pico e a não-desapropriação de mais de cem famílias no entorno das obras do campus definitivo.

Os problemas, no entanto, seguem. E seguem porque sua origem é o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Este programa visa ampliar o número de vagas no ensino Superior, porém sem aumento proporcional dos investimentos e segundo uma orientação meramente quantitativa da universidade, já que cria cursos com formação não-especializada, vagos sem nenhuma possibilidade de aplicação prática para o graduando, como “Bacharelado em Ciências e Humanidades”.

Assim, em junho 2011, os servidores técnico-administrativos da Unifesp Baixada Santista aderiram à greve nacional da categoria reivindicando, principalmente, contra a PLP 549/2009, que propõe congelamento de salários por 10 anos; redução da jornada de trabalho para 30h (isonomia salarial); e aumento do piso salarial de 03 salários mínimos e step 5% para as demais categorias.

Em agosto, docentes e estudantes aderiram à greve, tanto em solidariedade aos técnicos quanto por pautas específicas, sendo decretada, assim, Greve Geral no Campus. Docentes reivindicam revisão do plano de carreira, e estudantes, 10% do PIB para a educação pública e contra o novo Plano Nacional de Educação – que tem como uma de suas metas “Ampliar progressivamente o investimento público em Educação até atingir, no mínimo, o patamar de 7% do produto interno bruto do País”. Esse ponto é idêntico ao do atual PNE, e na prática os investimentos na Educação Pública não chegam a 5%.

Durante o movimento, houve diversas discussões, análise de conjuntura, rodas de conversas e um ato na Av. Paulista, com participação de outros campi da Unifesp, como Diadema e Guarulhos, reunindo mais de 500 pessoas em marcha. Além de um destacamento de estudantes, no mesmo dia, para a Marcha à Brasília, como parte da Jornada Nacional de Lutas.


Desfechos

Depois do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – ANDES-SN, fechar um acordo com o governo por aumento de 4%, os docentes do Campus, ainda que contrariados, não viam mais como sustentar a greve e voltaram às atividades no dia 31 de agosto.

Os estudantes, também entendendo a falta de uma conjuntura que sustentasse seu movimento de greve, acompanharam os docentes no mesmo dia, porém já com uma agenda de mobilização contemplando os próximos dois meses.

Os servidores técnico-administrativos, seguem em greve nacional e, depois de dois meses e meio sem sequer se sentar à mesa de negociação, começam a receber as primeiras propostas do governo.

Como saldo, fica a unidade entre as categorias no Campus, uma vontade pela luta de docentes, técnicos e estudantes, e a certeza de que na Baixada Santista – assim como em Riso das Ostras, Paraná, Santa Catarina e outros 45 universidades que entraram em greve e/ou ocuparam suas reitorias - não haverá ataques sem uma resposta à altura da classe trabalhadora ali representada.

  

 
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