Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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Greve na Universidade Federal de São Paulo: REUNI, pra que te quero? Imprimir E-mail
Isabel Keppler (Campus Baixada Santista) e Pedro C. Fernandes (Campus Guarulhos) - 30 de novembro de 2010

Em 2006, começou-se a desenhar na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) o que viria a ser o Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais). Este projeto do Governo Lula foi assinado em 2007 por quase todas as Universidades Federais, ainda que com muita resistência de estudantes e docentes, que travaram muitas lutas nesse período.

Existindo há anos apenas na cidade de São Paulo, a tradicional Escola Paulista de Medicina transformou-se em UNIFESP e em 2006 inaugurou o primeiro Campus da Expansão, na Baixada Santista. Em 2007 iniciaram-se as aulas no campus de Guarulhos, Diadema e São José dos Campos. Todos sem a mínima estrutura física e administrativa para tal.

Mobilizações e greves permearam os anos de 2007 e 2008, com ocupações de estudantes do Campus Guarulhos, greve no Campus Diadema e mobilizações no Campus Baixada Santista e São José dos Campos. Poucos foram os ganhos efetivos até então. Após muita reunião com Reitoria, e promessas não cumpridas, inicia-se atualmente um novo período de lutas na UNIFESP.

 
Campus Baixada Santista

São dois prédios alugados, um em cada lado da cidade de Santos, sem infraestrutura adequada para a graduação. Faltam laboratórios e um Complexo Esportivo – hoje o curso de Educação Física tem suas aulas práticas pelo convênio com um clube quase falido – faltam livros, salas de aula, computadores. Além dos problemas estruturais, existem muitas deficiências referentes à permanência estudantil. Não há política em serviços, como restaurante e moradia universitários. A assistência é feita por bolsas, com um critério que exclui a maioria dos estudantes, e ainda assim, quem consegue sofre com os atrasos, os meses sem receber, etc.

É nessa situação que encontram-se os estudantes do Campus Baixada Santista da UNIFESP. Há cinco anos em situação provisória, cansados de esperar pelas obras do Campus definitivo (cuja primeira promessa de entrega foi 2008) e de acreditar nas promessas, estudantes estão em greve desde o dia 6 de outubro, com adesão dos docentes, que estão paralisados desde 3 de novembro.

Os estudantes já organizaram atos em Santos e em São Paulo, junto com os outros campi da UNIFESP, em frente à reitoria. Já foram até Brasília, onde participaram do ato do ANDES – proposta de calendário Unificado do Seminário Nacional de Educação e entregaram um dossiê dos problemas da UNIFESP para o MEC, ainda sem respostas. Aulas públicas, uma na praça e uma na entrada da Universidade, ida aos outros campi da UNIFESP, audiência pública com o Reitor, reunião com sindicalistas de Santos, discussão sobre REUNI, sobre organização do Movimento Estudantil, sarau, e muitas outras coisas aconteceram nesse mais de um mês de greve.


Campus Guarulhos

A estrutura física e administrativa ainda precarizada e o descaso com a permanência estudantil nesses quatro anos de existência do campus, deixa claro a necessidade de mobilizar. Agora, no ano de 2010, os estudantes da UNIFESP Guarulhos alcançaram um nível de organização muito superior aos outros anos. As discussões são mais intensas, a participação é claramente maior e a estruturação do movimento surpreendeu a todos, dando mais incentivo para a luta dos estudantes.

Os estudantes da UNIFESP Guarulhos entraram em greve no dia 21/10, somando-se à luta dos estudantes da UNIFESP Baixada Santista, baseados em cinco reivindicações principais: construção do novo prédio definitivo, diminuição do preço das refeições através da des-terceirização do restaurante universitário, implantação de linhas de ônibus que atendam as demandas sociais da região, construção de moradia estudantil e garantia de conclusão do curso em oito anos.

Durante a trajetória do movimento estudantil na UNIFESP Guarulhos, muitas foram as tentativas de diálogo com a reitoria e com a diretoria acadêmica, muitos foram os meios utilizados para exigirmos os nossos direitos (abaixo-assinados, cartas abertas e até ocupações e acampamentos) e muitas foram as negativas dadas ao movimento. Assim, nossa única saída plausível e concreta foi a greve, que foi responsável por uma ampla abertura de diálogo entre os discentes, os docentes, os técnicos administrativos e a própria comunidade do bairro onde instalou-se a universidade.


A reitoria: pressão, medo e respostas

É evidente que a Reitoria quer vencer o movimento pelo cansaço, já que dificilmente conseguirá dar respostas efetivas por tudo que é reivindicado – tampouco tem coragem de dizer que não fará ou é contra alguma reivindicação. Por isso, todas as forças serão empregadas nesse decisivo momento para o movimento estudantil da UNIFESP, em negociação com a reitoria.

Depois de tanto tempo fazendo reuniões com a direção da Universidade, que nunca cumpriu com o que prometia, estudantes estão de pulsos firmes e com a clareza de duas coisas: só sairão dessa greve com respostas concretas às reivindicações, e que a greve tem fim, mas o movimento permanece e sai fortalecido para responder a futuros ataques à educação, que certamente virão em 2011!

Isabel Keppler
Estudante de Psicologia da UNIFESP – Campus Baixada Santista, integrante da diretoria do Centro Acadêmico

Pedro C. Fernandes
Estudante de História da UNIFESP – Campus Guarulhos

Spray de pimenta e cassetetes da polícia marcam o diálogo da reitoria com os estudantes

e ele desceu sorrindo...

Dia 9 de outubro foi um dia em que o discurso da direção da UNIFESP, de uma suposta "nova democracia da nossa Universidade", foi desmascarado.

Mais de 200 estudantes gritando “Desce, Albertoni, desce!”, exigindo que o Reitor se comprometesse, frente a todos os estudantes ali presentes, a responder à nossa pauta unificada de reivindicações. No documento, nada mais justo era solicitado: política adequada para alimentação, moradia, transporte. Infra-estrutura mínima necessária para uma educação de qualidade. Transparência na administração da Universidade que é pública.

O REItor, negando-se a falar com todos, solicitou uma comissão de seis estudantes. A cada “não” do Reitor, mais uma viatura chegava, mais policiais se aproximavam da Reitoria. Cassetetes contra a razão de quem luta.

Duas horas assim, até que veio uma provocação do Reitor: “as portas da reitoria estão abertas para o estudante que quiser subir” – e os seguranças realmente abriram os portões da reitoria.

Os estudantes estavam se organizando para entrar quando houve avanço da polícia. O REItor assistia, do quinto andar do prédio, à polícia que agredia os estudantes com spray de pimenta e cassetetes. Todos se afastaram e, após o ataque da policia, estudantes retornaram à reitoria e persistiram, firmes, exigindo mais ainda que o Reitor descesse. E ele desceu, sorrindo, calmo, e assinou as reivindicações.

Para muitos, aquele foi o primeiro enfrentamento com a polícia. Ao contrário do que se poderia ter esperado, porém, não desistiram de suas reivindicações, mas avançaram.

E será avançando, em número cada vez maior, que venceremos a reitoria e sua polícia. Afinal, nós temos uns aos outros, a força e a vontade para conquistar o que é de nosso direito.

 

Isabel Keppler

 

 

 
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