Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

Ocupações estudantis no RJ: Isso aqui já virou o Chile! Imprimir E-mail
Jonathan Mendonça e Ana Carolina Cantuaria, Coletivo Construção - 26 de abril de 2016

A juventude chilena se mobilizou de forma histórica em 2006 com a “Revolução dos Pinguins” e, depois, com outras duas jornadas em 2011 e 2015, numa corajosa luta pelo direito à educação pública e gratuita e contra o neoliberalismo. Essas lutas resgataram importante método histórico da classe trabalhadora: as ocupações. Mas, agora, nas escolas!

Inspirada pelos hermanos pinguins, a juventude paulista, no final de 2015, lutou arduamente contra o governo de Alckmin, que pretendia fechar centenas de escolas. Esta importante resistência, com mais de 200 ocupações de escolas, se sagrou vitoriosa e fez o governo recuar, dando uma importante lição para esta nova geração de lutadores: só a luta garante direitos e, mais que isso, só a luta muda a vida.

Um processo similar de ocupações também se estendeu ao estado de Goiás, contra um modelo de gestão privatizada e militarizada do ensino; e ao Espírito Santo, contra a “reorganização” do ensino com fechamento de turmas no campo.

Este ano, a greve dos profissionais de educação no estado do Rio de Janeiro, deflagrada em dois de março, iniciou um grande processo de mobilização que levou à construção de uma Greve Geral do funcionalismo público do estado do Rio de Janeiro unindo mais de 30 categorias em luta. Ao mesmo tempo, levou a uma importante mobilização estudantil secundarista, espelho do movimento que ocorreu em São Paulo, Goiás, Espírito Santo e Chile.


Mais de 70 ocupações

Durante a construção deste texto, mais de 70 escolas já estavam ocupadas. Entretanto, as tarefas não são simples! A primeira delas é aumentar as ocupações e resistir aos ataques do governo, que vem utilizando de métodos esdrúxulos para tentar desmobilizar estudantes. Desde pedidos de reintegração de posse, como os perpetrados contra a Ocupação Mendes de Moraes, primeira escola ocupada, até coerção e difamações.

As direções de escolas também têm cumprido um papel de desarticular as ocupações. Mentiras e difamações são veiculadas para desmobilizar, além de ameaças, assédio moral, etc. Movimentos contrários às ocupações têm sido organizados pelas direções junto a alguns professores pelegos e por membros da Secretaria de Educação e do governo. Este movimento por parte das direções das escolas reafirma a necessidade de construir uma escola democrática em que a direção seja eleita e, desta forma, represente os interesses da comunidade escolar, não dos governos.

Unificar as ocupações, construindo um projeto claro da juventude, contra as medidas neoliberais do governo Pezão/Dornelles, é uma tarefa fundamental. Este espaço amplo de discussão deve levar a uma pauta geral das escolas ocupadas. Mas é ainda necessária uma construção mais ampla desse processo. A primavera secundarista está ocorrendo, de distintas formas, em todo o país, com radicais respostas da juventude ante a tentativa dos governos de aprofundar as medidas neoliberais.

É necessário aprofundar a construção das lutas e #OcuparTudo! Isto é, construir espaços de discussões nos quais se construa este projeto comum, considerando as pautas específicas das ocupações, mas aprimorando a pauta de reivindicações gerais das escolas ocupadas.

A escola ocupada significa um espaço físico acolhedor e cheio de companheirismo entre os alunos. Lá eles aprendem a lidar com os conflitos e contradições. Há aulas com temas escolhidos por eles, oficinas de instrumentos musicais, competição de jogos eletrônicos, esportivos e de tabuleiros, batalha de rap, roda de samba, debates sobre a importância da história do movimento estudantil no Brasil. Ou seja, nestes espaços de ocupação está se construindo uma nova sociabilidade humana de respeito e cooperação, onde os alunos praticam a democracia direta através das assembleias diárias, onde sua voz é respeitada, constroem coletivamente as próprias regras de convivência, a partir das necessidades que percebem, e por isso as comissões de segurança, limpeza e alimentos precisam funcionar para manutenção da ocupação.


Escola para a vida de luta

Muitos estão cozinhando e limpando a escola, o que muitas vezes não é feito no seu dia-a-dia nem mesmo nas suas casas. Esta mudança de postura é porque entendem-se protagonistas desta história de ocupações. Assim sendo, sua ação direta de ocupação, eficaz, tem fortalecido a construção das maiores mobilizações em curso no país: a greve geral dos profissionais de educação ganha o ímpeto da juventude e aponta a vitórias concretas ante aos ataques neoliberais dos governos! 

 
Joomla 1.5 Templates by Joomlashack