Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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Pelo fim da ditadura de Wall Street - uma estratégia socialista para construir o movimento Ocupe Wall Street Imprimir E-mail
Alternativa Socialista (CIT nos Estados Unidos) - 10 de outubro de 2011

Todas as atenções pelo mundo estão voltadas para a ocupação de Wall Street. Os protestos capturaram o imaginário de milhares e inspiraram novas ocupações que se espalharam pelos EUA.

A repressão policial em Nova Iorque, uma tentativa de intimidar esse movimento, falhou completamente em quebrar nosso moral. Agora estamos mais determinados do que nunca a lutar. Inspirados pelos levantes revolucionários no Egito e norte da África, bem como pelas ocupações de massa da juventude na Espanha e na Grécia, os manifestantes tomaram as ruas de Nova Iorque e outras cidades americanas para enfrentar a dominação que Wall Street e os grandes negócios têm de nossas vidas.

Sob a superfície, na sociedade americana existe uma profunda raiva que parecia apenas ter expressão destorcida com os lunáticos de direita do Tea Party. Mas o movimento de massas em Wisconsin nesta primavera, e agora a ocupação de Wall Street dão uma ideia do enorme potencial de transformar essa raiva em um movimento social progressivo.


Ocupação não é o bastante! Como podemos fazer a luta avançar?

Muitos estão ocupando para “abrir espaço” na ordem a fim de construir um comunidade nova, mais igual e justa, esperando inspirar outros a seguirem o exemplo. Enquanto a ocupação de Wall Street é certamente um exemplo de uma comunidade baseada na democracia, cooperação e solidariedade, infelizmente, somente a ocupação não será suficiente para construção do movimento de massas capaz de transformar a sociedade.

Muitos compararam ao Egito dizendo que o crescimento da ocupação em torno de uma demanda básica foi a forma como o ditador foi deposto. Mas de fato, esta situação foi mais complicada do que isso. Na semana anterior ao ditador egípcio Mubarak ser deposto, a classe trabalhadora entrou em cena com uma decisiva ação grevista que paralisou setores chaves da economia.

As ocupações na Espanha e Grécia foram muito maiores que de Wall Street, mas elas também precisam que as poderosas forças da classe trabalhadora entrem em ação para serem vitoriosas. Em Wisconsin, a grande ocupação do Capitólio durou por mais de 3 semanas e foi o centro das demonstrações de massa de trabalhadores e juventude. Eles poderiam ter vencido se aquele movimento tivesse avançado em forma de uma greve geral dos trabalhadores públicos levando à paralisação da economia do estado.

Ao invés a luta de Wisconsin foi conscientemente descarrilhada pelo Partido Democrático e a direção sindical, tornando o movimento de massa numa campanha para revogar os mandatos dos Republicanos do poder a fim de colocar os Democratas em seu lugar. Mas, tanto os Democratas, como os Republicanos, são um partido de Wall Street e das grandes empresas, e não oferecem solução. Nós precisamos de uma luta independente que procure envolver uma camada mais ampla de trabalhadores e da juventude. Unidos nós temos o poder para retirar nossa força de trabalho, barrar o andamento dos “negócio de sempre”, e atingir bancos, corporações e elite governante onde conta mais.

Nós necessitamos construir a confiança para tomar tais medidas audaciosas. Isso é o porquê a Ocupe de Wall Street precisa chamar manifestações de massas levantando reivindicações chaves direcionadas às principais demandas que os trabalhadores e a juventude enfrentam, como trabalho, educação, saúde etc.. A juventude tem um papel vital a jogar. Na Grã-Bretanha, Chile e Wisconsin, e outras lutas foi a juventude que primeiro veio às ruas e tomou essas medidas que encorajaram as pessoas, abrindo as portas para uma luta mais ampla da classe trabalhadora.



Mudança de Sistema

Não só a economia mas a sociedade como todo passam por uma crise profunda. O capitalismo global é um sistema falido que não pode superar os problemas das crescentes desigualdade, pobreza, desemprego em massa, destruição ambiental e guerra gerados por ele. O movimento tem que desafiar Wall Street e os ambos partidos do grande capital. Nós devemos combater suas políticas anti-crises que tentam jogar a crise nas nossas costas a fim de manter um sistema que beneficia somente a elite em primeiro lugar.

Precisamos oferecer uma alternativa clara. Necessitamos transformar fundamentalmente a sociedade em uma outra que não seja baseada no lucro, mas que atenda as necessidades básicas de todos. A única alternativa real para ganância coorporativa e ao capitalismo é o socialismo democrático, onde a economia, o trabalho e sociedade como em seu conjunto funcionam democraticamente dirigidas por e para a grande maioria da população.



Junte-se a Alternativa Socialista! Nós defendemos:

  • Espalhar as ocupações pelo EUA inteiro, incluindo escolas e comunidades, numa campanha sistemática, para mobilizar maiores camadas de trabalhadores, jovens e sindicatos na luta.
  • Organizar manifestações em massa nos finais de semana por: Contra cortes nos serviços sociais; Programas de criação massiva de empregos; Maior aumentos de impostos para superricos e grandes empresários, e O Fim das Guerras, Corte do orçamento militar, e defesa dos direitos sindicais e democráticos.
  • Construir uma Semana Nacional de Lutas para 16-23 de novembro para combater o plano do “Super Comitê do Congresso” de US$ 1,5 trilhões em cortes nos serviços sociais. Nós precisamos de trabalho e não de cortes!
  • Preparar candidaturas independentes dos patrões, com candidatos da classe trabalhadora em 2012 para desafiar os dois partidos da Wall Street, como um primeiro passo para formar um novo partido dos 99% da população, dos trabalhadores.
  • Pelo fim da ditadura de Wall Street! Estatizar os grandes bancos que dominam a economia dos EUA sob gestão democrática de representantes eleitos dos trabalhadores e do povo. Indenização será paga na medida das necessidades comprovadas a pequenos investidores e não aos milionários.
  • Construir o movimento para substituir o sistema capitalista carcomido pelo socialismo democrático e criar uma sociedade baseada nas necessidades humanas.  
Comentários
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Arion Dias  - Esclarecimentos, por favor.   |13-10-2011 15:57:58
Quando o autor do texto diz que o capitalismo provoca pobreza, ele se refere ao sistema que retirou
a população mundial da idade média? Sobre desigualdade, qual seria essa? E qual a guerra que o
capitalismo gera? Sempre pensei que fossem os Estados que gerassem guerra (socialismo). Por fim,
não existem políticas anti-crise defendidas por um capitalista verdadeiro. Um real defensor do
livre mercado acredita que as empresas que fazem más escolhas devem ir a falência e as que fazem
boas escolhas devem lucrar. Assim é um anarcocapitalista. Nada de salvar bancos e ricos. Os
consumidores são os verdadeiros donos e julgadores de quem deve sobreviver ou não em uma economia
de mercado. Obrigado.
Lucas  - Capitalismo uma contradição   |20-10-2011 20:09:35
O capitalismo é bom quando tudo vai bem, mas quando entra em crise, bem o resultado esta ai.
Antonio Celso  - Resposta ao Arion   |30-10-2011 17:30:42
De fato são os Estados que geram guerra, afinal o Estado é a organização máxima da classe que
está no poder, portanto as guerras nos dias atuais são geradas, em ultima análise, pela burguesia
na defesa de seus interesses.
A crise que vemos hoje é consequência direta de anos de
neoliberalismo, nem mesmo o mais liberal dos capitalista deixou de defender o salvamento dos bancos,
álias nesse momento está se salvando países como o caso da Grécia, sem isso o Capitalismo teria
destruído até mesmo suas mais singelas conquistas e claro afetaria diretamente as contas dos
capitalistas no mundo inteiro.
O Capitalismo está destruindo à seus próprios frutos!
Arion Dias  - O capitalismo?   |31-10-2011 19:08:53
Caro antonio,
tenho que discordar de ti quando tu diz que nenhum capitalista deixou de defender o
salvamento de bancos.

Se tu conhecesse a Escola Austríaca de economia, veria que os mais ferrenhos
defensores do capitalismo dizem que qualquer um que faça um mal negócio (por livre vontade) deve
arcar com o prejuízo. Esse é um pensamento econômico liberal clássico, do tipo Laissez-faire,
defendido por quem se diz capitalista de verdade.

Diz-se que em qualquer economia em que um governo
faça proteção as empresas nacionais, imponha taxas de importação, regulamentações
trabalhistas ou salve alguém de ir a falência não existe capitalismo mas sim um verdadeiro
socialismo.

Poderá encontrar muita matéria de capitalistas que defendem que bancos ou grandes
corporações que estão endividadas vão a falência como qualquer outra pessoa nestes
locais:
http://www.teaparty.org/
http://mises.org/
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