Seção brasileira do Comitê por uma Internacional dos Trabalhadores

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A luta contra o racismo cresce no mundo Imprimir E-mail
Preta do Vale e João Militão - 24 de novembro de 2015

Neste momento de grande convulsão social, crise econômica e movimentações políticas populares, como não poderia deixar de ser, crescem as demonstrações de luta do povo negro, de sua organização e resistência.

Isso se dá em várias partes do mundo. É o caso das lutas contra as mortes de jovens negros e discriminação nos EUA, em um grande movimento por direitos civis, protagonizado pelo #BlackLivesMatter. Também nas lutas do movimento de mulheres contra as ações extremistas do Boko Haran na Nigéria. Também na África do Sul, com a luta dos mineiros, dos operários e, recentemente, com a entrada em cena da luta dos estudantes. É uma luta contra toda a farsa da democracia racial, que também se estabeleceu como ideologia racista por todo o globo a fim de calar e oprimir a população negra espalhada pela diáspora.

No Brasil, vemos diversos ataques oriundos de todos os partidos da ordem (de PT/PCdoB a PSDB/PMDB), como cortes de orçamento e programas sociais, contrarreforma agrária, retirada do direito a demarcação de terras dos quilombolas e indígenas e políticas de redução da maioridade penal e de flexibilização da venda de armas.

A luta contra o encarceramento em massa e contra o genocídio da juventude negra tem sido o maior dos enfrentamentos do movimento negro, que vem pautando a desmilitarização da polícia e cotidianamente denunciando as chacinas no Cabula, em Osasco e nas favelas “pacificadas” pelas UPPs.

O movimento negro das últimas décadas se perdeu dentro da institucionalidade burguesa e em iniciativas que pouco abalaram as estruturas do racismo e do sistema capitalista, que sobrevive por conta do racismo.

O Estatuto da igualdade racial, cotas, criação do ministério da igualdade racial [SEPPIR] e outras políticas afirmativas foram criados. Mas, no momento de crise, são os direitos sociais os primeiros a serem atingidos.

Nova geração de ativistas

Uma nova geração de ativistas vem surgindo nos últimos anos, alguns ligados aos programas sociais do governo. Mas o descompromisso do governo com a juventude e a militância para agradar os banqueiros, industrialistas e latifundiários, fez essa geração se desprender e construir iniciativas independentes. Exemplos são o #15contra16, o movimento mães de maio, o movimento “reaja ou será morto, reaja ou será morta” e diversos movimentos que pipocam nas periferias e favelas na luta contra a discriminação racial, cultural e contra a violência que assassina jovens negros em todos os cantos, vielas e quebradas.

Mesmo o MNU (movimento negro unificado) paralisado por anos, começa a retomar um caminho de independência política, mas está muito longe de retomar seu papel de articulador da luta do movimento negro pelo Brasil e na luta pan-africanista – como já foi no passado.

Um elemento da luta de classes é a centralidade da discussão de raça na sociedade brasileira. Os partidos da classe trabalhadora brasileira, pela própria pressão do movimento negro, perceberam essa centralidade. É uma tarefa desses partidos e organizações junto com o movimento negro atuar e aproximar o debate racial do centro da política nacional.

A libertação da população negra não se dá nos marcos raciais estabelecidos pela filosofia racista, mas é uma libertação étnica-racial/de cultura social que tem que estar ligada a questão da revolução da classe trabalhadora.

A aliança revolucionária e organizada entre trabalhadores negros/as e brancos/as, como uma luta também auto-organizada incessante contra as contradições das expressões racistas, machistas e homolesbotransfóbicas presentes dentro do próprio movimento da classe trabalhadora, será capaz de vencer a classe dominante burguesa e criar uma sociedade socialista onde poderemos construir uma cultura capaz de acabar de vez com o racismo, com as classes sociais e com o Estado.

A conexão e articulação da luta do movimento negro com as pautas de luta com recorte do conjunto da classe (contra exploração, demissões, adoecimento e mortes), serão os saltos qualitativos de ordem revolucionária para abalar os pilares do capitalismo no Brasil.

Farsa “pós-racial”

É preciso aliar as conquistas de representatividade em espaços privilegiados (universidades, programas televisivos, etc), seja por cotas ou pelo espaço aberto pela pressão do movimento negro, com as lutas anticapitalistas. Assim não repetiremos a farsa dos sistemas “pós-raciais” da África do Sul, Nigéria, ou EUA, com negros milionários ou até presidentes e massas de trabalhadores negros jogados a miséria e morte.

  • Queremos mais representatividade, queremos mais inclusão, até que todos sejam representados e não exista mais desigualdade!
  • Chega de exclusão e miséria do sistema capitalista apodrecido!
  • Contra a política de ajustes ficais! Pela estatização dos bancos e das empresas que demitem/privatizam!
  • Contra a retirada de direitos das mulheres! Pelo fim da violência física e simbólica à mulher negra!
  • Pela desmilitarização da polícia!
  • Contra a redução da maioridade penal!
  • Pelo fim da guerra as drogas! Pela descriminalização e regulação das drogas!
  • Contra toda forma de racismo! Abaixo a farsa da democracia racial!
 
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